Um Sheikh no Brasil romance Capítulo 35

Tudo bem, eu estava atestando para todos que o meu português era ruim mesmo, mas eu não me importava. Talvez fosse necessário pagar uns micos de vez em quando. Talvez não. Não me importava. Eu precisava falar para Agnes o que eu me propus a falar, de coração. Pois eu realmente queria que ela soubesse que eu não vim ao Brasil por uma simples ideia, mas porque realmente estava apaixonado por ela.

— Ag, eu gostaria que você soubesse que o que sinto por você é algo muito grande. Quero que saiba que esse noivado é só o começo do que quero ter com você e quero te contar algumas coisas que acho que não tive oportunidade de falar. — Confesso que estava sendo difícil lembrar de tudo o que Sophia tinha me ensinado e vire e mexa eu tinha que olhar o papel que eu tinha anotado para lembrar de algumas palavras que pareciam teimar em sumir da minha cabeça. Ainda assim, eu estava realmente torcendo para que eu estivesse conseguindo falar tudo com clareza e que ela me compreendesse no fim.

— A primeira vez que te vi, confesso que realmente a enxerguei como um jogo. — E ao eu dizer isso alguns arregalaram os olhos sem acreditar no que eu falava, mas eu decidi ignorar. — Eu queria ganhá-la pelo cansaço, queria que fosse minha como muitas outras tiveram sido. — Umedeci os lábios. — Mas você se mostrou uma exímia jogadora também, não somente não caindo na minha, mas se impondo como um ser que merecia respeito, como, de fato, você merecia. — Ela pareceu concordar balançando a cabeça de leve e eu sorri.

— Mas no dia do meu aniversário, quando você salvou a menina, quando você mostrou o seu lado genuinamente humano de ajudar as pessoas, alguma coisa me tocou muito forte. Quando compartilhamos as nossas vidas naquela sacada, eu senti que estava encontrando uma amiga. Alguém que compreendia a minha dor, alguém que não estava ali pelo meu dinheiro, mas porque era alguém em quem confiar... Mas o pior não foi isso... — Umedeci os lábios novamente. — O pior foi descobrir que encontrei uma amiga em você, mas encontrei também alguém que eu realmente queria beijar, alguém que eu realmente queria ficar ao lado e ter pelo resto da minha vida. E eu sabia que era errado pensar nisso. Ao menos enquanto eu continuasse num relacionamento com alguém e você também. Então eu me segurei. Eu me fechei. Eu tentei de todas as formas possíveis fazer Você me odiar. — E enquanto eu falava isso parecia que todos os flash de memória de todos os momentos que passamos juntos passavam na minha cabeça. Parecia que tudo voltava numa cena atrás da outra, como uma lembrança que não mais sairia da minha mente.

— Mas quanto mais eu fazia você me odiar, mas louco por você eu me via ficar. Ao ponto de arriscar coisas insanas, como jantar num deserto com Você sob o comentário maldoso de outros. — Sorri. — E então... Vê-la dormir... — Pausei diante da lembrança que se fazia na minha mente... Eu ainda tinha aquela lembrança muito forte...

Agnes não conseguia de jeito nenhum ficar em pé, se movimentar e ir para cama e eu a peguei no colo. Com todo o cuidado possível, pois ela parecia um anjo nos meus braços que sob qualquer movimento poderia acordar. E eu não queria que seus lábios cheios e levemente entreabertos sumissem da minha visão. Nem que ela fugisse do meu olhar. Enquanto ela dormia, não pude deixar de velar pelo seu sono, relembrando algumas passagens que eu tinha na mente do alcorão. Não, eu não conseguia tirá-la da minha cabeça.

— Eu não sabia se você sentia algo por mim. Não iria nunca fazê-la ser minha já sendo de outro. Mas isso não iria me impedir de pelo menos ter uma amiga, algo que pareci encontrar em você. E no fim... Quando descobri ser correspondido... — Agnes concordou com a cabeça e percebi que ela tinha lágrimas nos olhos novamente. Sorri.

— Acho que encontrei o ópio do qual precisava em você, amira. Agora, só existe você na minha vida. Por isso, em testemunha de todos os que estão aqui presentes, eu gostaria de perguntá-la, Agnes... — E Agnes arregalou os olhos percebendo agora do jeito tontinho dela que havia mais do que nós dois ali.

— Você quer casar comigo, Agnes Valença? — Perguntei.

Acho que a pior parte de você fazer esse tipo de pergunta para alguém é o tempo maldito até receber a resposta. Parece que a pessoa vai mudar de ideia, mesmo ela já tendo em algum momento dito que sim. Parece que uma cratera vai impedir que a pessoa fale ou até mesmo que alguém vai receber um tiro, ter um ataque do coração e acabar com toda a cena presente.

A espera é interminável.

— Ter você ao meu lado foi a melhor coisa que me aconteceu Seth. Sem você eu não teria amadurecido tanto, sem você eu não saberia realmente o que eu mereço, ou quem eu mereço a estar ao meu lado. Sem você, nesse momento, eu estaria diante de um grande trauma. E você me salvou quando mais precisei. Você veio atrás de mim mesmo quando eu fugi pela minha irmã. você... Você ainda está aqui. — E eu concordei dando longos passos em direção a Agnes. Seu rosto já estava vermelho de querer chorar. Levantei seu queixo de forma que seus olhos encontrassem o meu e concordei balançando a cabeça.

— Eu estou aqui Agnes. E se você quiser eu ficarei para sempre. — E Agnes concordou enquanto grudava a sua cabeça no meu peito.

O momento que durou era perfeito. E mesmo diante de aplausos e vivas de outras pessoas, eu só tinha olhos para a pequena mulher que estava ali comigo. O ópio que havia me conquistado de maneira irremediável.

Eu já não tinha mais conserto. Meu coração era todo dela.

Fechei os olhos aproveitando o momento. Era a única coisa que eu queria ali então.

*

Depois do momento que tivemos, fomos juntos cortar o bolo do noivado. Aproveitei a deixa para com ajuda de Agnes falar os planos que tínhamos. Falei sobre a ideia de fretar um avião para que todos pudessem acompanhar em Omã o nosso casamento e aproveitei para falar sobre a probabilidade, para que eles se ajeitassem. Acreditava que em cerca de dois meses Sophia estaria sendo liberada para viajar de avião e enfim toda a tormenta acabaria, portanto.

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