O Sheikh e Eu(Completo) romance Capítulo 24

– Está tudo aqui? – Perguntei enquanto olhava minha agenda mais uma vez. Acho que já era a quinta vez que eu olhava e Seth já estava me fuzilando com o olhar. Ninguém quis nos acompanhar na aventura, além dos costumeiros guardas que acompanhavam Seth para cima e para baixo, mas no jatinho não estaríamos a sós, estaríamos com a aeromoça e o único percurso que ficaríamos, de fato, sozinhos, era dentro do carro por cerca de cinco horas. Já no hotel, estaríamos em quartos diferentes e com guardas que já esperavam pelo Sheikh e eu, para nossa segurança, como diziam.

– Você já sabe que sim. – Disse Seth zangado. Mesmo assim, não liguei em conferir mais uma vez para desagrado do Sheikh.

– Malas? Okay. Dinheiro? Okay. Passaportes? Okay. Comida da Senhora Sahir? Okay. Lenços e coisas que posso precisar da Karen? Okay. Remédios possíveis? Okay. Estou esquecendo alguma coisa a mais, Senhor Seth? – Perguntei segurando o riso.

– A minha dignidade de ficar esperando aqui em pé, talvez.

– Okay. – Disse fingindo ticar aquilo também e Seth me olhou com um olhar mortal. Estava prestes a me jogar dentro do jatinho se fosse preciso para partirmos.

– Então vamos? – Ele perguntou e eu concordei meneando a cabeça.

Despedimo-nos de todos e deixei na mão de Sahir para que me ligasse para qualquer dúvida ou qualquer coisa que precisasse. Eu tinha tido os últimos três dias extremamente abarrotados e tinha tentado fazer o melhor de mim para que não precisassem de mim. Tinha deixado as dispensas cheias, os serviços adiantados. Estava tudo em perfeita ordem. E, além disso, eu não ia demorar. Alguns poucos dias e retornaria para manter meu posto em perfeito estado.

Então seguimos para o avião prontos para partir. Estava tudo calmo naquela manhã daquele dia. Chegaríamos próximo da tarde e então pegaríamos um carro emprestado que, na verdade, já nos esperava, para não criar alarde com a presença do Sheikh por ali.

O jatinho começou a sua partida e eu me encostei na cadeira esperando que alcançássemos o céu. Logo estaríamos em outro país e eu não conseguia deixar de me sentir eufórica pela possibilidade de ver Matheus.

– Quantos anos têm Matheus? – Perguntou Seth me tirando dos meus devaneios. Voltei minha atenção a ele.

– Mesma idade que eu. – Respondi e Seth assentiu. Percebi que ele mexia no celular até o momento que, instintivamente, pulei em cima de Seth tentando tirar o celular da mão dele.

– Seth! – Gritei. O iphone deu alguns pulos antes de cair com a tela virada para baixo. O ambiente pareceu ficar gélido. Seth prestes a me matar enquanto olhava o celular e o pegava com a máxima de cautela. Deus queira que o celular dele não tivesse quebrado por minha causa! Se não eu estaria ferradíssima, tendo que comprar outro celular novinho para ele.

Ele puxou o celular com o máximo de cuidado do chão e o virou na minha direção. O celular continuava bem, graças a Deus! Então voltei a minha atenção novamente para Seth, antes saindo de cima dele, que eu tinha me jogado sem querer.

– Por que você está fazendo isso, seu louco? – Perguntei quase gritando. E qualquer um no meu lugar estaria da mesma forma! O seu chefe adicionando o facebook do seu namorado? Vamos lá! Que maluquice era essa? Cadê as câmeras que eu não estou vendo?

– E qual o problema? Não posso adicionar o Matheus? – Ele perguntou cínico.

– Mas é claro que não! Você nem o conhece. – Gritei indignada. Parecia uma criança birrenta, mas Seth que tinha começado tudo!

– Claro que conheço. – Seth riu. – Ele é o seu namorado. Simples assim. – Revirei os olhos.

– Você não o conhece ao vivo.

– Vou conhecer. – Cortou-me Seth. Fuzilei-o com o olhar.

– Eu não permito. – Dessa vez, Seth gargalhou.

– Uou, agora preciso da permissão da governanta. Por que não tenho direito de mexer no meu próprio facebook, não é mesmo? – E lá estávamos nós novamente, o cão e gato que brigavam por qualquer coisa. Nossa faixa de melhores momentos parecia que tinha acabado.

– Não tem! Você não tem o direito de adicionar o meu namorado, Sr. Riquinho. – Seth pareceu furioso.

– É? E você não tem o direito de ofender a minha noiva e mesmo assim eu não te chamei a atenção. – Por alguns segundos os meus lábios se arquearam sem resposta nenhuma àquilo. Tudo tinha fugido da minha mente. Seth tinha pego pesado.

– Eu não preciso tolerar você. – Disse me levantando da minha cadeira. Seth colocou as mãos por trás da nuca, um sorriso formando em seus lábios.

– Rá! É aí que você se engana, Agnes. Você é obrigada a me tolerar pelas próximas horas e talvez dias. Por que você é a minha governanta e você está aqui por que eu permiti. – Lá estava o Seth mimado que eu achei que não veria mais. Eu não estava acreditando que estava ali, tão presente. E que eu tivesse que aguentar tudo aquilo. Era demais para eu acreditar.

– Você é realmente um idiota de um riquinho. – Disse passando por ele para me afastar o máximo que podia daquela figura horripilante. Que garoto idiota! Achava que então era assim? Você pagava uma pessoa e ela tinha o dever de fazer suas vontades? Ah, mas Seth não me conhecia mesmo! Não mesmo!

– Eu não deixei você sair de perto de mim, Agnes. – Disse Seth morto de raiva e ódio. Sua mão agarrou o meu pulso e eu me soltei num pulo, tonta pelas lembranças de meu pai que me fuzilavam na minha cabeça. Trouxe o meu braço na altura do meu peito e tentei não demonstrar o quanto isso tinha me afetado. Seth pareceu não perceber, porque continuou:

– Você está sendo infantil. – Ri de raiva e ódio.

– Eu sendo infantil? E quem acha que é o dono do mundo aqui? – Balancei a cabeça negativamente. – Você pode ter tudo o que quiser, Seth. Todavia, eu sou apenas uma trabalhadora. Como tal, mereço respeito. Então, você não tem o direito de me tocar, tampouco de me tratar como uma escrava, o que não sou. – Deixei claro. – Agora se me der licença. – Pedi enquanto a passos largos seguia ao banheiro.

Antes mesmo de chegar ao banheiro feminino, eu não conseguia deixar de derrubar lágrimas pelo caminho. Não fiz nenhum som até a chegada ao meu destino final, mas as lágrimas continuaram a molhar o meu rosto e eu continuei chorando copiosamente.

Havia muito tempo que eu não chorava. E, ultimamente, quando eu o vinha fazendo, eu não conseguia exprimir nada em minha voz. Era um choro sem lágrimas. Por muito tempo foi assim e, mesmo quando papai foi embora, essa marca continuou sendo parte de mim. Uma parte terrível que permaneceu enraizada como uma cicatriz dentro de mim. Eu podia simplesmente estar ali, morrendo por dentro, mas não conseguia exprimir um som. Eram lágrimas apenas.

Lágrimas de dor. Lágrimas de um passado que eu preferia há muito esquecer.

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