EM BUSCA DO AMOR PERDIDO CAPÍTULO TRINTA E TRÊS

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Giulia Miller

Conversamos muito com a minha família, eles estavam realmente felizes por mim, ainda não havia contado sobre o tumor do James, isso não é uma conversa de se ter por telefone.

Mas como a minha mãe me conhecia tão bem, ela me chamou pra conversar a sós no quarto que tem no jato.

Segui ela, junto com o Lucca em meus braços, com a desculpa que irei colocar ele na cama.

Larguei o Lucca e senti os olhos de minha mãe em mim, assim que me virei pra ela, ela foi direta ao assunto:

__ Quando vai me contar o que está acontecendo pra deixar a minha filha tão triste? – ela pergunta depois de fechar a porta do quarto e eu larguei o Lucca na cama e coloquei os travesseiros na volta dele, para ele não rolar.

__ Porquê a senhora acha que tem algo errado? E como sabe que estou triste? – pergunto assim que me virei pra ela e sentei na beirada da cama.

__ Filha, eu te conheço, seus olhos estão caídos e vejo olheiras em você como se tivesse chorado ou não dormiu direito. O que houve?

Comecei a chorar novamente, claro eu não consigo tocar nesse assunto sem chorar, porque dói cada vez que eu penso.

Minha mãe se abaixou na minha frente e pegou a minha mão...

__ Filha o que aconteceu? Fala pra mamãe?

__ Ahh mãe, eu não sei o que fazer pra aliviar a dor do meu coração, eu tô com tanto medo mamãe, tanto medo! – soluço e ela me abraça apertado, ela não fala mais nada e só me aperta em seus braços. Sei que ela está me dando tempo pra me acalmar e começar a falar o que preciso. E assim eu faço!

__ Mamãe, o James está com um tumor cerebral de difícil remoção...

Conto tudo a ela, todos os detalhes e ela chora junto comigo, porque ela o ama também, ele é como um filho pra ela, mesmo ele não se lembrando dos meus pais, eles lembram dele e o amam.

Então ela diz depois que contei a ela que eu vou operar ele:

__ Você tem certeza disso amor? E se... – ela ia falar e eu a interrompi.

__ Nada vai acontecer mamãe, eu vou dar o meu melhor. Sei que consigo!

__ Mas minha filha, você está se arriscando muito, querida se não der certo como você vai viver com essa culpa?

__ Mamãe, se não der certo eu vou ter certeza que eu fiz de tudo pelo James, não vou desistir na primeira tentativa, fica tranquila tá bom? E não vou me culpar por nada, porque ele vai ficar bem...

__ Vou orar por isso filha, mas não sei se o seu pai vai permitir que você faça essa cirurgia, porque como você é da família, e você conhece a política do hospital!

__ Ah, eu tinha me esquecido disso, mas eu converso com ele, por favor deixa que eu digo sobre isso tá bom? Aliás ele não precisa saber que serei eu a operar ele mamãe, quer dizer, não sei, eu vou dar um jeito, fica tranquila, só deixa comigo...

__ Tudo bem meu amor, eu estou do seu lado!! Você vai ficar aqui no quarto?

__ Sim, vou dormir um pouquinho com o Lucca, porque essa noite eu não dormi nada.

__ Tá bom, quer que eu chame o James?

__ Pode ser. – falo me deitando ao lado do meu bebezinho que dorme pesado. Fico olhando ele e as lágrimas rolam sem que eu consiga segurar.

__ Oi querida, me chamou? – James entra no quarto e ao me ver chorando, vem deitar atrás de mim e me abraça apertado... Ele sabe o quanto eu preciso dele.

Deixo as lágrimas rolarem e dormi com ele de conchinha comigo...

Acordo com um barulho na porta...

__ Já vai! – olho em volta e percebo que só tem eu na cama.

Abro a porta e meu pai diz:

__ Chegamos filha, o James pediu pra eu te chamar porque ele está com o Lucca chorando em seu colo, ele não quer ficar com ninguém além do pai.

__ Ah tudo bem pai, eu já estou indo, só vou me arrumar... Obrigada!

__ De nada filha, depois eu quero saber o motivo da sua mãe ter saído daqui chorando tá bom?

__ Eu conto depois papai.

__ Tudo bem!

Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, escovei os dentes, retoquei a minha maquiagem, exagerei um pouco na base em baixo dos olhos, porque parece que levei uma surra.

Troquei de roupa rápido porquê a minha estava amassada, e ainda coloquei um sobretudo quentinho porque ainda é inverno. saí do quarto e encontrei todos me esperando para sairmos do jato

pra eles e o Lucca ao me ver me estendeu os bracinhos e eu o peguei, pois ele ainda estava chorando mesmo com o pai, então quando o peguei ele parou de chorar e deitou no meu ombro. Sentamos em nossos lugares, colocamos o cinto e esperamos o avião aterrissar.

Acho que ele estranhou o avião, porque é primeira vez dele, por isso está assim tão choroso.

__ Vamos? – meu pai diz assim que a porta se abre.

Eles saíram primeiro, eu o James e o nosso bebê saímos por último, quando chegamos no final da escada, tinham muitos paparazzis esperando pra ter uma entrevista com o meu marido, claro né, ele havia sumido no mar, é lógico que eles estariam curiosos para ver ele de novo.

Mas como o James não sabia o que dizer, preferimos passar sem dar o que eles queriam, vão ficar na curiosidade por mais algum tempo.

Os seguranças do meu pai fizeram de tudo para que passássemos sem ser incomodados.

Chegamos no carro e fomos pra casa...

Depois de quase uma hora de trânsito lento e congestionado, chegamos na mansão dos meus pais, era o mais perto por enquanto.

era quase dez da noite quando entramos em casa, a viagem foi cansativa, mas eu estava com saudades de terra firme. A casa estava toda iluminada, inclusive o jardim lá nos fundos onde tem os quartos de hóspedes, fomos em direção ao quarto que vamos dormir e percebo que o James olha pra tudo atentamente, os empregados colocaram nossas malas no quarto e saímos para sentar no jardim, a noite está linda, apesar de estar muito gelado, e ter muita neve, ainda assim sentamos na cadeira de balanço pra conversar um pouco. Estava só eu e ele, porque o Lucca está com os meus pais e irmãos fazendo folia.

estava perdido, dava pra ver que ele não estava se sentindo

que foi amor? – pergunto ao ver ele um pouco confuso.

Não é nada, - ele diz mas não me convence, e eu falo:

se estiver sentindo alguma dor, desconforto por favor precisa me dizer.

não sei Giulia, é só uma dor de cabeça, nada demais.

James, no seu caso qualquer dor de cabeça é perigoso querido. Como você está? Fala a verdade! – olho pra

Não sei, eu só senti um negócio estranho, parece que já

amor, você esteve muitas vezes. Você lembrou de alguma coisa? –

Não sei se é lembrança, mas eu tive a sensação de familiaridade. – ele diz e fica olhando pra um ponto específico e eu olho também, é o local que ele me viu pela primeira vez, segundo o diário dele. Ele sorri e

Tenho a sensação que algo importante aconteceu naquele local, mas não sei o que é.

seu diário diz que foi ali que me viu pela primeira vez, e que se apaixonou por mim. – ele me olha e sorrindo diz:

me lembrei que li isso.

Mas a sensação que teve é porque leu

Não, foi diferente, não sei

__ Tudo bem, está nervoso?