Nosso Passado Capítulo Três - 1

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Parte 1...

Ela acordou cheia de saudades de seus bebês. Sabia que estavam bem, mas sentia falta deles, de sua voz de sono pela manhã e mais ainda dos beijos e abraços.

Anelise tinha muita sorte de ter filhos carinhosos e apegados a ela. Isso fazia sua vida mais fácil.

Quando Haroldo ainda era vivo, ele colocava os dois na cama com eles e contava histórias até que dormissem, depois os levava para suas camas. Mesmo com muito trabalho ele sempre tinha tempo para a família reunida.

Ele era um homem formidável e fazia tudo pela família. Depois de um tempo ela aprendeu a amá-lo e quando lhe contou que estava grávida de novo, foi emocionante.

Tão diferente de Mathias. Eram homens opostos.

Ela suspirou. Seria seu primeiro dia na direção de seu plano. Escolheu as roupas simples que comprara em um brechó, tênis e uma bolsa pequena. Tudo o oposto de suas roupas de grifes famosas, de seus sapatos de designer único.

Apenas por baixo ela continuava a mulher rica que era. Sua roupa íntima era da Victória Secrets. Uma das coisas que havia se acostumado com sua nova vida. Luxo.

Guardou o celular caríssimo feito exclusivamente para ela na Suécia, por uma empresa que trabalhava com clientes selecionados e Haroldo fazia parte da lista, o que a fez ser convidada também.

Pegou o celular velho que tinha pedido para Felipe comprar. Algo que mostrasse que era uma pessoa humilde e que não poderia lançar mão de algo da moda.

Prendeu o cabelo sedoso em um rabo de cavalo para que ficasse o mais simples possível. Fez uma maquiagem comum e nada chamativa e usou o mesmo perfume que usava quando morava com a avó. Uma simples colônia de alfazema.

Se olhou no espelho e sorriu até de modo maquiavélico para o reflexo no espelho. Era uma sensação estranha estar de volta e prestes a realizar algo tão grande.

Seu disfarce estava pronto. A garota pobre estava de volta à cena. Dessa vez era a protagonista.

***************

Anelise desceu no ponto de ônibus antes do restaurante. Queria ir caminhando para se habituar de novo às ruas, ver o que tinha mudado por ali desde que ela se fora da cidade.

E também queria acalmar o coração para entrar na personagem. Ali ela estava sozinha, não teria a cobertura da riqueza e ficaria exposta.

Havia alguns pontos comerciais novos, mais árvores nas ruas e um calçadão novo. De resto tudo o mesmo. Viu a placa grande indicando o restaurante. O Rancho.

A fachada era bem bonita, em madeira e vidro com vasos de plantas coloridas na frente. Suspirou fundo. Nem recordava qual foi a última vez em que ela usara um uniforme

usar seus terninhos Armani, feitos sob medida, mas não eram uniformes.

Empurrou a larga porta de vidro e foi até a recepção falar com a recepcionista. Se

— Ah, sim - ela sorriu educada — A senhora Lorena já está esperando - indicou a porta — Pode ir.

Anelise meneou a cabeça com um sorriso, agradeceu e saiu. Bateu na porta de leve três vezes. Esperou a ordem de entrar e então abriu a porta.

Bom dia - fechou a porta — É a senhora

mulher levantou a cabeça e a olhou, retirando os

Eu mesma. E você, querida, quem é? - ela sorriu

Meu nome é Anelise Ferro... - pigarreou. Ela quase disse o nome de casada — Desculpe, minha garganta - ela tocou o pescoço fingindo — É Analise Carvalho - sorriu

Mathias me falou sobre você - abriu uma gaveta — Aqui - ela colocou um formulário e uma caneta em cima da mesa grande de madeira — Preencha este - colocou uma caixinha ao lado — Estas são para a garganta - abiu a embalagem — Elas são de própolis e

de leve, agradecendo. Pegou uma pastilha e colocou na boca. Foi ótimo, o sabor forte era gostoso e refrescante. Ela sentou e pegou a página.

nada demais, só pedia o endereço, nome e outras informações de contato. Coisas comuns. Lembrou de colocar o endereço atual de sua avó e também o novo número de celular que tinha comprado antes apenas para usar