— Por quê? — perguntou Kathleen.
Samuel engoliu em seco. — Porque não vejo mais ódio nos seus olhos.
Antes, Kathleen o amava e o odiava, e esse ódio o sufocava.
No entanto, agora, havia uma distância entre eles.
Na verdade, ele não gostava disso, de jeito nenhum.
Por outro lado, do ponto de vista de Kathleen, talvez fosse melhor esquecer tudo para não sofrer mais.
— Mais alguma coisa? — perguntou Kathleen. — Se não, vou para casa.
— Eu te levo — disse ele, com a voz rouca.
Ela acenou com a mão, recusando: — Não precisa. Posso ir sozinha. Já consigo mexer o braço, então posso dirigir sem problemas.
Ele a olhou em silêncio.
— Nos vemos amanhã à tarde na Faculdade de Medicina — acrescentou ela, meio sem jeito, antes de se virar para ir embora.
Samuel massageou a testa.
Ela está claramente me rejeitando, não gosta que eu me aproxime, e não posso fazer nada quanto a isso.
Com esse pensamento, ele tossiu duas vezes.
Voltando para a janela, ficou olhando para fora.
Viu Kathleen sair sozinha pelos portões em direção a um carro estacionado ali perto.
Ela entrou no carro e foi embora.
Samuel continuou a observá-la com seus olhos escuros até que ela sumiu de vista.
A princípio, Kathleen queria dirigir direto para casa, mas percebeu que estava sendo seguida, o que a fez franzir a testa.
Tenho certeza de que saí de casa sozinha, mas assim que deixei a Mansão Florinia, alguém começou a me seguir. Parece que há muitos olhos ao redor da mansão.
Ela estreitou os olhos e parou o carro imediatamente.
O carro que a seguia também parou.
Kathleen então saiu do carro.
No entanto, não houve movimento algum do outro veículo.
Com uma arma na mão, ela se aproximou do carro e apontou para a janela. — Saia daí!
A porta se abriu, revelando Emily.
— Kate, sou eu.
— Sra. Morris? O que está fazendo aqui? — Kathleen se surpreendeu, abaixando a arma.
Emily ficou sem graça. — Vim te ver. Você examinou Christopher e mandou entregar um remédio, não foi? Mas ele ainda não acordou, mesmo depois de tomar tudo. Por isso estou aqui.
Kathleen então se lembrou. — Me desculpe, Sra. Morris. Aconteceu tanta coisa ultimamente que acabei esquecendo.
Emily apertou os lábios. — Tudo bem. Eu não esperava que você fosse Gizem. Kathleen, pode ir comigo?
Kathleen assentiu com firmeza. — Claro. Mostre o caminho, Sra. Morris.
Emily suspirou aliviada. — Obrigada. Desculpe incomodar.
— Não se preocupe. Eu prometi ajudar. Vamos — respondeu Kathleen, de forma simples.
Em seguida, ela voltou para seu carro, sob o olhar atento de Emily.
Kathleen parece diferente de antes.
Meia hora depois, chegaram à residência dos Morris.
Assim que saiu do carro, Kathleen perguntou casualmente: — Sra. Morris, Finn e Tracy ainda estão morando com você?
— Aconteceu algo com Finn há alguns dias. Um parente da família da mãe biológica dele, do segundo casamento dela, veio buscá-lo. Tracy foi junto — explicou Emily.
Ao ouvir isso, Kathleen franziu a testa. — Ouvi dizer que a mãe dele faleceu?
Emily assentiu. — Sim. Ela morreu há pouco tempo. Casou-se com uma família real, mas você sabe como são as disputas de poder entre famílias ricas. Com famílias reais é ainda pior. Ninguém sabe ao certo como ela morreu.
Kathleen perguntou, mantendo a calma: — O que aconteceu com Finn?
— Ouvi dizer que foi uma overdose, e quando perceberam, ele já estava quase sem respirar. Disseram que, mesmo que sobreviva, ficará com sequelas — explicou Emily.
Ao saber disso, Kathleen gritou por dentro.
Bem feito! Finn e Theodore merecem por terem armado para mim!
Enquanto conversavam, entraram na mansão.

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