Entrar Via

A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 42

Liana desceu as escadas devagar, ainda com aquela sensação estranha grudada na pele.

O tipo de cansaço que não era só físico.

Já estava arrumada, cabelo ruivo preso num rabo de cavalo baixo, uma blusa simples, jeans, nada chamativo. O celular novo no bolso, estava pronta para o trabalho, mas sua cabeça estava em outro lugar.

No pesadelo.

No sangue.

Na voz dentro da mente dela.

“Finalmente achei você… bruxa.”

Liana engoliu seco e continuou andando.

Quando chegou na sala de jantar, o cheiro de café fresco e pão quente a atingiu, mas não trouxe o conforto que deveria. O ambiente parecia tranquilo demais para tudo o que ela carregava dentro do peito.

Dante estava sentado à mesa, com Kian no colo.

O garotinho ria de alguma coisa, enfiando um pedaço de pão na boca enquanto falava sem parar, animado, como se o mundo fosse simples e seguro.

Dante, por outro lado, tinha aquele mesmo ar fechado.

O maxilar travado, os olhos frios, o tipo de homem que parecia estar sempre pronto pra uma guerra… mesmo quando estava só tomando café da manhã com o filho.

Quando Liana apareceu, Kian foi o primeiro a notar.

— TITIA! — ele gritou, abrindo os braços.

A ruiva forçou um sorriso e se aproximou, recebendo o abraço apertado dele como se fosse a única coisa boa daquele dia.

— Bom dia, pequeno…

Kian beijou a bochecha dela com força, depois voltou pro colo do pai.

Dante não sorriu, o olhar dele passou pelo rosto dela, desceu um pouco, como se ele estivesse procurando algo, as sobrancelhas unidas e algo no olhar… Preocupação?

“Depois do jeito que ele me tratou ontem, claro que não estaria preocupado comigo”, Liana pensou balançando levemente a cabeça.

— Você tá bem? — o alfa perguntou, num tom meio duro, meio impaciente, como se a preocupação estivesse disfarçada atrás da irritação.

Liana pegou uma caneca e sentou do outro lado da mesa.

— Tô.

Dante estreitou os olhos.

— Essa foi a resposta mais mentirosa que eu já ouvi na vida.

Liana bufou, levando o café até a boca.

— Só tô cansada.

— Cansada do quê? — ele insistiu.

O jeito que ele perguntava… não era como se estivesse curioso.

Era como se estivesse exigindo, como se tivesse o direito de saber, e isso a incomodava. Liana sentiu o sangue esquentar.

— Cansada de tudo, Dante — respondeu, simples. — Mas não é problema seu.

O olhar dele escureceu, o ar ao redor pareceu mudar um pouco, como se o lobo dele se agitasse por baixo da pele.

— É meu problema sim — ele rosnou, baixo. — Você tá debaixo do meu teto.

— Lá vem você com essa merda de novo… Vamos lembrar que estou aqui por obrigação — Liana revirou os olhos. — Não começa.

Kian percebeu a tensão e arregalou os olhos.

— Papi… — ele falou baixinho. — Não briga com a titia…

Dante respirou fundo.

Por um segundo, a raiva dele recuou, mas só um segundo.

— Você não vai trabalhar hoje — ele disse de repente, seco, direto.

Liana congelou.

— Eu vou sim.

— Não vai.

A frase saiu como uma ordem, e aquilo… foi o suficiente pra Liana sentir a paciência dela estourar de vez. Ela colocou a caneca na mesa com força.

— Eu não sou sua prisioneira, vou fazer a merda que eu quiser.

Dante inclinou o corpo pra frente, a voz ficando mais baixa, perigosa.

— Você passou a madrugada tremendo, resmungando coisas que eu não entendia. Tem alguma coisa acontecendo.

Liana travou, seu coração deu um salto e ela tentou disfarçar, mas o olhar dele era afiado demais.

— Não faço ideia do que você tá falçando.

— Agora já sabe — Dante respondeu, sem piscar. — Estava queimando em febre.

Liana engoliu em seco.

Ela odiava aquilo.

O jeito que ele percebia as coisas antes mesmo dela, o jeito que ele enxergava por baixo da pele dela.

— Eu tô bem — ela repetiu, firme. — E eu vou trabalhar.

Dante ficou imóvel por alguns segundos, encarando-a como se estivesse medindo o quanto ela aguentava bater de frente.

Então falou, num tom que parecia mais contido… mas ainda cheio de autoridade.

— Fica em casa hoje. Só hoje. Por favor, Liana.

— E por que eu aceitaria isso?

Dante a puxou mais para si seus narizes roçando um no outro enquanto se encaravam..

— Porque nesse jantar… — ele disse, a voz mais baixa — você vai poder perguntar o que quiser.

Liana sentiu o coração errar uma batida.

— E eu vou dizer tudo o que você quiser saber.

Ela ficou quieta.

Por um segundo.

Dois.

A raiva ainda estava ali, mas ela estava cansada demais pra continuar fingindo que aquilo não importava.

— Sem mentiras? — ela perguntou, num tom desconfiado.

Dante ergueu o queixo levemente.

— Sem mentiras.

Liana respirou fundo.

Antes que ela pudesse dizer sim ou não, Dante se inclinou e beijou os lábios dela.

Foi rápido, mas não fraco ou sem graça era um beijo que selava aquela promessa um beijo de posse e, com certeza, de paixão.

E também… de desculpa.

Liana fechou os olhos por um segundo e sentiu o corpo relaxar só um pouco, só o suficiente pra não odiar ele naquele instante.

Quando ele se afastou, ela abriu os olhos.

— Tá — murmurou. — Eu aceito o jantar.

Dante soltou o ar como se tivesse segurado a respiração o tempo todo.

— Ótimo.

Ela puxou a mão de volta dessa vez, mas sem a mesma agressividade.

— Mas eu ainda vou trabalhar.

Ele fez uma careta.

— Teimosa.

— E você é mandão.

— Eu sou alfa — ele respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do universo.

Liana revirou os olhos e saiu antes que começasse outra discussão.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá sequestrada pelo alfa