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A cura do Alfa implacável romance Capítulo 50

[KADE]

— Onde diabos você está indo agora? — Perguntei à minha irmã, que estava do lado de fora da casa da matilha com suas coisas arrumadas e suas amigas reunidas ao redor dela, chorando e lamentando.

— Eu fiz uma promessa, não fiz? — Ela sorriu para mim, seu rosto marcado por linhas duras apesar do sorriso. Eu podia ver a determinação em seus olhos e isso fez meu coração doer.

— Felicity, o que é isso? — Forçei minha voz a ser suave apesar da raiva do meu lobo em relação a todos ao seu redor. Estávamos falando da minha irmãzinha. Eu tinha sido cruel com ela, gritado e forçado-a a sair do meu escritório, mas isso não significava que meu amor por ela tinha desaparecido. Eu deveria protege-la, não manda-la embora!

— Eu prometi que te ajudaria. É aqui que eu começo. — As pessoas reunidas do lado de fora se despediram dela e me olharam, seus olhos queimando em minhas costas.

— Vamos para o meu escritório e conversamos. — segurei sua mão, mas ela resistiu por um segundo antes de ceder.

— Ok, mas não posso conversar por muito tempo. Não quero perder meu voo. — Ela me seguiu de volta para a casa da matilha e subimos as escadas para o quarto que eu usava como escritório.

— Comece a falar. — rosnou Flint quando entramos no escritório. Segurei meu lobo enquanto minha irmã se sentava mais ereta. — Desculpe, Flint está de mau humor. — me desculpei. Ela me deu outro sorriso que me fez querer envolve-la em meus braços e protege-la.

— Eu entendo. — Ela abaixou a cabeça por um segundo antes de levantá-la com um sorriso triste. — Você perdeu sua companheira, então entendo que você não esteja no melhor humor.

Eu gostaria de continuar inventando desculpas, mas como Alfa, eu não podia. Era meu dever proteger essas pessoas, amá-las e mostrar-lhes bondade, mas nas últimas semanas, Flint sempre me empurrava para fazer o contrário.

Minha vida estava desmoronando rapidamente.

Meu lobo estava inconsolável e incontrolável. Ele rosnava para todos, me mantinha acordado à noite e toda vez que eu tentava trabalhar, sua raiva me dominava a ponto de minha cabeça ameaçar explodir.

— Isso é tudo culpa sua. — ele rosnou para mim. — Eu te disse para não rejeitá-la, mas você ouviu?

— Flint, você conhece meus motivos. — eu disse ao meu lobo, mas sua raiva não diminuiu. A intenção assassina que emanava dele me fez engolir em seco.

— Seus motivos eram estúpidos desde o início e eu te disse! — Ele sibilou. — A deusa nos deu uma companheira e você, um mero humano, teve a audácia de rejeitá-la? — Ele gritou. — Você não é ninguém! Eu sou o poder, sua força, o Alfa, mas por sua causa, fui condenado a uma vida sem minha companheira!

Eu me contorci ao sentir uma dor de cabeça familiar se formando. A raiva em sua voz, o ódio que emanava dele, faziam minha cabeça doer mais do que meu coração.

Eu diria a ele que talvez tivéssemos uma companheira no futuro, mas sua resposta sempre era a mesma. Ele não queria mais ninguém. Se eu pensasse em me acasalar com outra mulher, ele jurava mata-la. Eu deveria ter percebido que quando Flint se apegou a um frágil fio do vínculo de companheiros com Sia, ele estava falando sério em mantê-la, mas eu não vi motivo algum para ficar com uma ômega.

Lembro-me, como se tivesse acontecido hoje, de como meu pai insultou minha mãe por ser uma Beta depois do nascimento de Felicity. Talvez tenha sido a razão pela qual eu era tão protetor da minha irmã, já que nosso pai nunca a via tanto. Meu pai não a odiava, mas por causa dela, seu relacionamento com minha mãe ficou abalado. Em todas as oportunidades, ele lembrava nossa mãe de que ela lhe deu uma beta como filha quando ele queria uma alfa.

Se meu pai fez isso com minha mãe, que era uma beta, como ele reagiria se descobrisse que minha companheira era uma ômega?

A ideia estava enraizada em mim desde que entendi a hierarquia dos lobos. Se ela não fosse uma Alfa, não tinha lugar ao meu lado. Eu tinha que escolher uma mulher forte para me acasalar, já que ter filhotes alfas era uma necessidade. Era a razão pela qual, apesar de desejar tanto as curvas doces de Sia, eu nunca me permiti indulgências. Ela era uma ômega e eu era um Alfa. Ela não era ninguém enquanto eu era a pessoa mais importante em Silver Moon. Nossos mundos nunca deveriam se misturar, nem mesmo por alguns minutos de sexo.

— Eu a rejeitei. Não é como se ela tivesse sido roubada de mim. — disse a Felicity depois de um longo silêncio. — E isso não tem nada a ver com você.

Mesmo que parecesse que minha alma gêmea tinha sido roubada de mim, eu tinha que me lembrar de que tudo era culpa minha. Não era culpa do meu pai ou da minha matilha. Eu assumia toda a culpa por ter rejeitado Sia porque eu não era uma criança quando a rejeitei. Eu não estava bêbado, não estava dormindo.

— Mas você a quer de volta. — desafiou Felicity.

— Eu não posso tê-la de volta. — lembrei a ela.

— Você não sabe até tentar. — Até Flint se animou com o tom ousado de Felicity. Ela olhou nos meus olhos e vi a determinação brilhar neles.

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