— O que você quer dizer com sua companheira? — Kade foi o primeiro a falar após o silêncio ensurdecedor que se seguiu às palavras de Cahir. Ele deu um passo involuntário em minha direção e eu recuei.
O nervosismo fez meu coração bater em um ritmo acelerado que logo me fez sentir dor. Todos estavam olhando para mim agora e, não acostumada com a atenção, eu não queria nada além de me enfiar em um buraco e me esconder.
Uma ruga contorceu as feições de Kade. O médico e Aristo tinham expressões de surpresa, enquanto Warren, o ex-alfa, parecia estar calculando algo. Cahir rosnou quando Kade deu mais um passo em minha direção.
— Alfa Kade, mais um passo… — Ele deixou a ameaça em aberto, cruzando os braços em uma postura falsamente descontraída. Seus músculos tensos se destacavam através de sua camisa, enquanto ele apertava os braços, encarando Kade com raiva.
Eu senti uma tempestade se formando na sala e, pelo que parecia, eu não era a única a sentir a erupção iminente entre os dois alfas presentes na sala.
— Por que temos que lidar com todas essas pessoas agora? — Asena suspirou, irritada com a intrusão. — Se esse idiota não tivesse aparecido, nós já poderíamos estar usando a marca de Perseus. — Ela ronronou com a perspectiva, mas eu me senti duvidosa.
Kade não me queria e ele nunca me deixou duvidar disso. Outro dia ele estava me dizendo como adoraria me procriar, se não houvesse o risco de eu contaminar sua linhagem alfa ao lhe dar filhos ômegas. Ele estava delirante em pensar que eu o aceitaria, depois de ter tornado minha vida miserável por anos. Mas suas palavras voltaram agora para me assombrar.
O fato de Cahir ter me beijado não significava que ele queria ficar comigo. Como um alfa de uma matilha duas vezes maior que a Silver Moon, ele tinha mais em jogo do que Kade. Não ficaria surpresa se ele me rejeitasse, apesar do beijo quente e ardente, que compartilhamos minutos atrás. O desejo cego não faria um alfa como ele, se contentar com uma ômega como eu.
— O que diabos você está pensando? — Asena rosnou em minha cabeça, sua voz irritada e cruel. — Você é mais do que uma ômega sem valor, você foi beijada pela deusa! — Ela falou com raiva.
— Asena, eu não quero criar esperanças com um companheiro como da última vez, apenas para ser rejeitada. É melhor não esperar nada. Dessa forma, não importa o que aconteça, não seremos machucadas. — Minha voz estava quieta em minha cabeça.
Durante toda a minha vida, eu pensei que se eu me esforçasse mais, se trabalhasse mais para agradar meu pai, mostrando minha relevância para minha matilha, eles me aceitariam. Eu queria que meu pai me olhasse com orgulho nos olhos, da mesma forma que ele olhava para Kade e Felicity, que não eram seus filhos.
Nada do que eu fazia era bom o suficiente para ele, a mancha de ter matado sua companheira, era forte demais para ele ignorar. Com meu pai, eu esperava coisas. E o peso esmagador da decepção e desilusão que me destruíam toda vez que ele não me dava nada, não era algo que eu queria experimentar novamente.
Kade estava fora do meu alcance, mas Cahir estava fora do alcance até mesmo de Kade. Havia também o fato de que Cahir era um assassino renomado, que também não tinha lugar para fraquezas em sua vida. Eu? Eu tentei ser forte por muito tempo, mas a Silver Moon quebrou meu espírito sempre que teve a chance. Eu seria apenas um fardo para um homem como Cahir. Só de pensar nisso, meus olhos se encheram de lágrimas.
— Eu queria não entender seu cinismo. — Minha loba suspirou. — Mas eu quero acreditar que Perseus não é tão ruim quanto Flint. — Asena mencionou a loba de Kade.
— Sihana é membro da minha matilha. Eu sou o alfa dela. — os rosnados de Kade me fizeram ficar surpresa. — Portanto, tenho o direito de recusar a ela, um companheiro como você. — ele terminou e meus olhos se arregalaram.
Ele jurou que eu serviria como escrava de sua matilha. Ele prometeu que eu nunca conheceria a liberdade e que ele nunca me deixaria sair da matilha de forma alguma. Como meu alfa, eu sabia que ele tinha controle total sobre minha vida e como eu a vivia, mas ele poderia me recusar como companheira?
— Com base em quê? — Cahir perguntou, um leve divertimento em suas palavras, enquanto seu rosto permanecia neutro.
— Você é um tirano assassino. Como seu alfa, eu não posso permitir que ela fique com um homem como você. — Kade ergueu o queixo, seus olhos brilhando em um vermelho profundo, que costumava me aterrorizar até minutos atrás.
Nesta sala, com três alfas, apenas um deles tinha a aura sufocante o suficiente, que fazia eu querer me esconder, fingir estar dormindo, morta ou qualquer outra coisa, para garantir que eu estivesse segura e protegida dele. Apenas um alfa aqui conseguia fazer o resto de nós tremer apenas respirando. Esse alfa não pertencia à matilha Silver Moon.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A cura do Alfa implacável
????? Só,é o restante ?...
Essa história não vai ter mais capítulos não? Não será mais atualizada?...