Ao cair da noite, a voz de Fabiana soava particularmente insana ao telefone:
— Dionísio Guerra, você ficou na Cidade L para me pegar? Sim, eu ainda estou na Cidade L. Adivinha onde estou agora? Shh, escute. É a casa do meu primo. Ele se casou hoje e, a esta hora, deve estar ocupado em cima da noiva. Sabia que, anos atrás, no meio da noite, ele rastejou para cima de mim com a mesma intenção? Sorte que não conseguiu, mas isso se tornou o trauma da minha vida inteira.
— Por que você foi tão bom para mim?
— Por que me manteve na empresa?
— Por que me ajudou?
— Se você não tivesse me ajudado, eu teria ficado na lama para sempre, sem chance de me erguer. Eu nunca teria tido essas ambições... É engraçado pensar nisso. Eu te ofereci aqueles raviólis caseiros com tanta sinceridade. Achei que você fosse gostar, mas você nunca gostou. O que você gosta é daquele café moído na hora feito por aquela vadia da Paloma Prado. Você gosta de comer comida italiana com ela, não é? Não ache que eu não sei, é exatamente isso que você pensa. Mas você deveria me agradecer. Eu não matei o seu filho, só o deixei à própria sorte. Ouvi dizer que ele sobreviveu. Que sorte a dele!
...
Dionísio permaneceu inexpressivo:
— Onde você está?
No telefone, Fabiana gargalhou histericamente.
— O que você acha, Dionísio!
...
Naquela mesma noite, ocorreu um duplo homicídio na Cidade L.
A tia de Fabiana e seu primo, Juvêncio Cunha, foram ambos assassinados.
A cena do crime era grotesca.
Foi um crime cometido com arma branca.
Todos os indícios apontavam Fabiana como a principal suspeita.
Pela manhã, o caso era o único assunto nas ruas e vielas da Cidade L, figurando também entre os assuntos mais comentados da internet. Graças à influência do Grupo Prosperidade, o crime não foi associado a Dionísio e foi investigado separadamente do caso de Mateus, devido ao enorme impacto social.
As autoridades da Cidade L trabalharam arduamente por três dias e três noites.
Até que, finalmente, prenderam Fabiana.
Ela estava em um restaurante muito luxuoso, vestida com elegância, saboreando um filé requintado. Quando a polícia chegou para prendê-la, ela apenas levantou os olhos e deu um sorriso leve. Ao ser detida, foi diagnosticada com um transtorno psiquiátrico paranoide em fase de surto. Pela lei, ela poderia até ser considerada inimputável, sendo apenas confinada em um hospital psiquiátrico para tratamento.
Fabiana não demonstrava a menor preocupação.
Não importava onde a trancassem.
Viver ou morrer também não importava.
Fabiana já havia morrido na adolescência.
Naquela noite escura.
Ela só queria ver Dionísio uma última vez.
Com o assunto encerrado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Invisível do Bilionário
Gente eu amava esse site mais agora eles tão cobrando pra ler tá doido...