O quarto ficou em silêncio por um momento.
O tempo pareceu parar. Naquele espaço quieto, eu quase ouvia os batimentos do meu coração.
Na porta, Antonella segurava algumas embalagens, com o sorriso congelado no rosto, olhando para mim e Norberto. Seus olhos ficaram grandes como os de um coelho assustado, cheios de surpresa e pânico.
Norberto, vestido com roupas casuais, estava de pé ao meu lado com uma postura natural, como se toda aquela situação constrangedora não tivesse nada a ver com ele.
E eu, que não tinha feito nada de errado, sentia meu coração batendo como um tambor de guerra, tão nervosa que minhas mãos suavam.
Após um breve silêncio, a garota na porta foi a primeira a falar:
— Norberto, você também está aqui?
— Vim falar com a Dra. Monteiro sobre um assunto.
Norberto mentiu sem nem piscar, mantendo a postura despreocupada de sempre.
Pensando bem, ele de fato estava ali para conversar comigo. Mas e Antonella?
— Ah, entendi — a garota baixou os olhos e sua voz mudou da alegria de antes para um tom baixo e decepcionado. — Que coincidência.
Percebendo o estado da garota, Norberto deu dois passos rápidos à frente, olhou para a sacola nas mãos dela e perguntou:
— Por que você veio?
Antonella olhou para Norberto com uma expressão de injustiçada, depois olhou para mim e disse baixinho:
— A Noemia tomou soro a noite toda, fiquei com medo de que o estômago dela doesse e trouxe o café da manhã.
Ela andou até mim e abriu a embalagem na minha frente.
Mingau de tofu, pãezinhos e alguns acompanhamentos simples.
O estranho é que era comida para duas pessoas.
Percebendo minha dúvida, Antonella olhou para Norberto e explicou:
— Eu não sabia que você estaria aqui, Norberto. Não tem para você.
Olhei para o mingau que ela me estendeu e ia recusar, mas ouvi Norberto dizer:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Que Ele Nunca Mostrou