O grito de Norberto Cavalcante fez com que o quarto de hospital, antes barulhento, caísse em um breve silêncio.
Ele já tinha uma presença intimidadora. Ao entrar com a cara carrancuda, mesmo sem dizer uma palavra sequer, ninguém ali ousou mexer um dedo — nem o casal de pacientes que tinha causado toda a bagunça.
A bagunça do quarto se acalmou instantaneamente.
— Você — Norberto olhou para Gabriel Neves, e depois para mim, que estava ao lado dele, e disse friamente: — E você também, vão para o meu escritório e me esperem.
O homem forte não gostou de ouvir isso e levantou a voz: — Não, o médico bate nas pessoas e vão deixar ele...
Norberto lançou-lhe um olhar frio, e a postura do homem murchou imediatamente, murmurando em voz baixa: — Vocês têm que nos dar uma explicação.
A enfermeira-chefe apressou-se a intervir, desculpando-se: — É tudo um mal-entendido. O Dr. Barros chegará em breve, então, se os senhores tiverem alguma queixa, podem falar diretamente com ele.
O homem torceu a boca, espiando Norberto pelo canto do olho, e disse a contragosto: — Tudo bem, de qualquer forma, todo mundo viu.
Norberto não deu atenção, com o rosto extremamente fechado, e seu olhar caiu novamente sobre mim e Gabriel. Ele disse com severidade: — Ainda estão aqui?
Cinco minutos depois, Gabriel e eu aparecemos ao mesmo tempo no escritório de Norberto.
O homem abriu uma garrafa de água mineral na nossa frente, deu um gole grande e, olhando fixamente para Gabriel, disse: — Ela é estagiária e não entende, e você entra nessa bagunça? Sabe o que significa brigar fisicamente com os familiares de um paciente?
Eu expliquei imediatamente: — O Dr. Neves fez isso para me ajudar.

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