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A Esposa Que Ele Nunca Mostrou romance Capítulo 129

Eu devia ter imaginado que a primeira punição do Norberto seria um escândalo impossível de esconder da minha sogra, que tinha informantes por toda parte.

O que eu não esperava era que ela aparecesse no Residencial Belvedere sem avisar para jogar nas minhas costas a culpa pela mancha de Norberto.

Não era a primeira vez que eu levava a culpa por ele.

Da última vez, em Montes Verdes, por causa de uma foto no rio, levei bronca por telefone da minha sogra. Quando fui ao Solar, ela brigou comigo na frente de todo mundo. Na época, de tanta raiva, eu até respondi, mas agora eu sequer tinha vontade de rebater.

Lembrando da cena no elevador minutos antes, eu só achava graça.

A pessoa que realmente fez Norberto ser punido devia estar nesse exato momento trocando carícias com ele num restaurante de luxo, enquanto eu, a vítima enrolada no meio daquela tempestade, precisava escutar as reclamações da família dele.

Por que eu tinha que passar por isso?

Encarei a sogra sentada no sofá, curvei-me devagar e servi uma xícara de chá. Com a voz calma, disse: — Já que a senhora está me perguntando, imagino que tenha um plano em mente.

A sogra deu uma olhada rápida para a xícara que entreguei e falou sem paciência: — Você não pode mais trabalhar no Hospital Memorial. Entregue sua carta de demissão antes de amanhã de manhã.

O tom de voz era definitivo.

Exatamente o que eu pensava.

Afinal, ela sempre me avisou que, no segundo em que o trabalho de Norberto fosse prejudicado, eu seria o sacrifício inevitável.

Mas dessa vez, eu não ia servir de bode expiatório.

— Se essa é a sua exigência, sinto dizer que vai ficar decepcionada — falei sem rodeios. — Porque a "mancha" que a senhora mencionou não foi causada por mim.

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