Assim que Norberto terminou de falar, o corretor ficou animado e foi pegar o contrato, falando enquanto abria as páginas: — Olha, minha linda, ainda bem que o seu namorado sabe cuidar das pessoas.
Antonella olhou atordoada para Norberto, hesitou por alguns segundos e na mesma hora discordou: — Norberto, espere, eu não vou morar sozinha, eu ainda preciso ver o que a Noemia acha.
Depois de falar, ela olhou sem graça para mim, que servia de paisagem ali, e perguntou nervosa: — Noemia, o que você acha?
Bastante educada.
Mas Norberto não me deu tempo para falar, completando imediatamente: — Não precisa perguntar a opinião da Dra. Monteiro, aquele quarto do lado fica perto da janela. Para mim, a gente devia colocar o seu piano ali.
Antonella abriu a boca surpresa e recusou: — Como assim, Norberto, eu combinei com a Noemia que ia...
Ela olhou para mim de soslaio duas vezes enquanto falava, com os olhos cheios de desculpas.
Foi só aí que Norberto se virou, os olhos pousando no meu rosto, e perguntou: — O que a Dra. Monteiro acha desse arranjo?
O tom dele era calmo e sua atitude era franca, até o olhar que ele jogou em mim estava cheio de cortesia. Mas, não sei por que, tive a ilusão de estar sendo provocada.
— Noemia?
O chamado de Antonella puxou meus pensamentos de volta. Eu me ajeitei e falei com calma: — Eu acho que esse arranjo do Dr. Cavalcante é muito bom.
— Essa moça é muito compreensiva, — o corretor respirou aliviado de lado e entregou o papel e a caneta correndo, lembrando: — Pagar três meses mais o caução. Qual a forma de pagamento?

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