Olhei de novo para a hora. Era apenas seis e meia da manhã.
Nas manhãs de inverno em Porto Real, o sol demora horas para aparecer, e naquele horário ainda estava tudo escuro. A minha sogra me ligando a esta hora... será que aconteceu alguma coisa?
Teria a ver com o acidente na pista de esqui?
Mas quem se machucou fui eu.
Com dúvida, atendi a chamada tremendo.
— Onde está o Norberto? Por que o telefone não chama?
Ouvi o tom apressado da minha sogra e a consolei: — Não se preocupe. Aconteceu alguma coisa urgente?
— Vá procurar o Norberto agora mesmo. Diga a ele para me retornar a ligação na mesma hora. Agora.
Ouvi o tom de comando e ansiedade da minha sogra. Supus que algo deveria ter acontecido e tirei o cobertor na mesma hora: — Certo, estou indo para lá agora.
Norberto estava no último andar. Ouvi dizer que, nesta viagem, apenas alguns diretores ficariam naquele andar. Coloquei um boné para não ser reconhecida e me aproximei devagar, sem fazer barulho, até a porta do quarto dele.
Ninguém respondeu depois que toquei a campainha várias vezes. Pensei no tom ansioso da minha sogra ao telefone e, sem me importar com mais nada, ergui as mãos e bati na porta: toc, toc, toc.
Mas ainda não houve resposta.
Naquele momento, fiquei aflita. Pensei por um instante, peguei o celular e liguei para a recepção do hotel.
— Sim, chame o segurança, por favor, venha abrir a porta...
Antes que eu terminasse de falar, ouvi um "ding dong", e a porta do quarto do Norberto se abriu.
O homem estava com um roupão branco. Olhou para mim com os olhos cheios de sono e disse com a voz baixa: — Por que é você?

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