Norberto realmente tinha sido levado pelo Comitê de Saúde para interrogatório na Ala Administrativa.
A notícia causou um alvoroço no Hospital Memorial. Os boatos se espalharam, deixando todos assustados, e uma sombra caiu sobre o nosso departamento de Anestesiologia.
Houve até rumores de que a Família Ramos havia contratado uma equipe jurídica profissional para processar o Hospital Memorial e Norberto.
Confusões médicas eram comuns, mas uma de grande escala como a de Thiago Ramos era a primeira.
Pensei no fato de Norberto ter sido levado, e meu coração ficou ainda mais inquieto.
Pouco depois, o Dr. Carranca convocou uma reunião de emergência no departamento, chamando os profissionais de saúde que tiveram contato com Dona Estela para a sala de reuniões.
Assim que sentamos, ele falou sério:
— Acredito que todos já sabem que os superiores intervieram no incidente da Dona Estela. Além de ter a ver com a Neurocirurgia, isso também envolve a nossa Anestesiologia. Peço que tenham cuidado com o que dizem e fazem nos próximos dias.
Júlia foi direta:
— Dr. Barros, nós também seremos chamados para colaborar com a investigação?
— Apenas para colaborar, mas cada palavra e ação de todos aqui presentes reflete a imagem da Anestesiologia — o Dr. Carranca fez uma pausa. — Então, vocês devem ter noção do que deve ou não ser dito.
Ao terminar a frase, ele olhou diretamente para mim e acrescentou:
— Especialmente os funcionários que tiveram múltiplos contatos com a paciente, devem pensar duas vezes antes de agir e não manchar a reputação do nosso departamento.
Foi praticamente uma indireta para mim.
Mas por outro lado, agora que até a figura principal do Hospital Memorial havia sido levada, era normal que o Dr. Carranca nos desse alguns avisos.
E eu sequer havia entrado na sala de cirurgia de Dona Estela. Apenas fiquei encarregada do pós-operatório. Mesmo que a diretoria investigasse, não cairia sobre mim.
Pensando nisso, fiquei mais aliviada.


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