Fiquei surpresa com a sugestão de Antonella.
Quem era Norberto Cavalcante, e qual era a posição da família Cavalcante em Porto Real, a garota deveria ao menos ter ouvido falar, mesmo que não soubesse ao certo. Era o tipo de pessoa que qualquer um conseguia contatar quando quisesse?
E ainda pedia a minha ajuda, a Sra. Cavalcante apenas no nome.
Neste Hospital Memorial, pela ordem de proximidade com Norberto, eu não estaria na lista, não é?
Por que a garota procurou justo a mim?
Será que ela já havia percebido algo incomum entre mim e Norberto, e veio me testar de propósito?
Lembrando a cena da garota observando o carro se afastar agora pouco, eu não respondi, mas perguntei de volta: — A Dra. Lima está brincando. Se você não consegue falar com a família Cavalcante, como eu, só uma residente de anestesia, ia ter acesso a eles?
— Para ser sincera com você, Noemia, o Norberto e eu ainda não chegamos a esse ponto — a garota disse cheia de sinceridade, com paciência. — Desta vez, se não fosse tão repentino, eu teria vergonha de te pedir isso.
Eu olhei para ela e disse com franqueza: — Infelizmente, não posso ajudar com isso.
A garota, vendo a minha recusa decidida, esfregou a barra da roupa e disse com cautela: — Noemia, ouvi dizer que o Dr. Neves e o Norberto foram colegas no ensino fundamental. Você acha que o Dr. Neves teria o contato da família Cavalcante?
Ouvindo isso, de repente eu entendi. A garota tinha dado toda aquela volta para que eu pedisse a ajuda do Gabriel.
Mas neste momento, eu mal podia esperar para tirar o Gabriel dessa história, como eu o arrastaria para isso? Então recusei educadamente: — Dra. Lima, você também sabe que a Comissão de Saúde está investigando. Acho melhor não agirmos por impulso agora.
Antonella entendeu a minha recusa, forçou um sorriso e explicou: — Fui precipitada, peço desculpas.

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