A pergunta de Norberto me deixou pasma.
Se bem me lembro, esta foi a primeira vez depois do casamento que ele se importou com o meu paradeiro.
E num momento como esse.
Um momento onde eu me escondia de todos.
— Não me ouviu?
A voz grave dele me trouxe de volta à realidade. Falei abertamente: — Eu não estou no Residencial Belvedere.
Terminei de falar e completei: — Não vou voltar nos próximos dias.
— Não vai voltar?
— É, a situação já saiu do controle. Se um repórter me seguir, será um problema — lembrei do aviso de Dona Helena e falei antes que ele o fizesse. — Não vou envolver a sua família, e tentarei ao máximo não arrastar o Dr. Cavalcante para isso.
Assim que terminei de falar, escutei a risada irônica do homem: — Então eu deveria agradecer à Dra. Monteiro?
Embora tenha percebido o sarcasmo do homem, não consegui ficar brava, apenas respondi num tom neutro: — Você é muito gentil, Dr. Cavalcante.
O outro lado da linha ficou silencioso de repente.
Achei que Norberto tivesse desligado, mas, ao ver a tela, a chamada ainda estava ativa.
Hesitei por dois segundos e perguntei: — Precisa de mais alguma coisa, Dr. Cavalcante?
— Como você mesma disse, é melhor não me arrumar problemas.
Norberto desligou após dizer isso.
Olhei para a tela preta e apaguei a luz em silêncio.
Nosso casamento não passa de um contrato, afinal. O que eu poderia esperar dele mesmo?

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