Quando terminei o depoimento, as luzes da rua já estavam acesas.
Eu e Gabriel ajudamos Vitor, com a coxa enfaixada, a sair da delegacia.
Assim que chegamos à porta, nos assustamos com um grupo enorme de repórteres esperando do lado de fora.
— Aquela é a Dra. Monteiro? Dra. Monteiro, nosso Anjo de Branco, pode nos dar algumas palavras para uma entrevista?
Achei que tivesse ouvido errado, mas depois de olhar para o repórter e seguir seu olhar, confirmei que ele estava falando de mim.
Mas, desde quando eu me tornei o Anjo de Branco?
Gabriel, assustado, nos arrastou para a porta dos fundos e perguntou a Vitor o que estava acontecendo.
— Foi o seguinte, — Vitor explicou imediatamente — Quando entrei na empresa de logística, trouxe uma câmera escondida. Quando fui jogado no chão pelos brutamontes, a lente ficou exatamente voltada para o teto. Apesar de não ter gravado o seu rosto, Dra. Monteiro, todas as suas palavras foram gravadas integralmente.
Fiquei confusa: — E depois?
— O conteúdo foi editado e enviado. — Vitor confessou — Mas não se preocupe, não revelamos nenhuma informação sua.
Antes dele terminar de falar, a mão de Gabriel já havia batido na parte de trás da cabeça dele: — Seu moleque, você traiu os amigos pela audiência, não é?
— Mas foi para o bem da Dra. Monteiro, veja quantas pessoas a entenderam mal na internet. — Vitor respondeu com confiança — Jogar a verdade na cara deles, né?
Olhando os dois brincarem, eu não pude evitar um sorriso.
— Certo, eu pago a conta. — Vitor desviou da mão de Gabriel, soando apologético. — Eu conheço o Restaurante Aurora, a comida é ótima, conheço o dono, prometo que será incrível.
Gabriel olhou para mim e perguntou: — O que você acha, Dra. Monteiro?

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