O Acadêmico Arthur foi bem direto. Ele estava nos suspendendo para investigação.
Isso significava que não teríamos mais permissão para entrar nas salas de cirurgia do Hospital Memorial, nem poderíamos ajudar nos ambulatórios. Nossos acessos como neurocirurgião e anestesista foram limitados.
Não havia diferença entre nós e pessoas invisíveis.
Gabriel também percebeu isso e falou insatisfeito: — A diretoria deveria saber muito bem como tudo aconteceu. Mas agora, em vez de nos apoiar, eles criam uma equipe de investigação. O quê? Querem sacrificar nossos interesses para calar a boca do público?
— A diretoria tem os seus próprios problemas — o Acadêmico Arthur lançou um olhar severo para Gabriel e disse em voz baixa: — Já ligaram para a sala do Dr. Valente fazendo denúncias. Disseram que se isso não for rigorosamente investigado, quem vai ter coragem de vir se tratar no nosso hospital? O que acham que deveríamos fazer?
Gabriel respondeu teimosamente: — Isso não é justo.
— O que é justiça? Agora é a palavra de um contra a do outro. Uma equipe de investigação será bom para vocês — o Acadêmico Arthur explicou com paciência e seriedade. — Só revisando o histórico médico de vocês e silenciando os questionamentos, conseguiremos acabar com os preconceitos contra os dois. Entendem?
Vendo que Gabriel queria falar mais alguma coisa, eu o interrompi logo: — Quem não deve, não teme. Já que o hospital criou uma equipe de investigação, vamos colaborar ao máximo.
Gabriel me olhou conformado e hesitou antes de falar.
Assim que saímos do escritório, Gabriel começou: — Você sabe o que significa um estagiário ser investigado? Como pôde aceitar tão rápido?
Olhei para ele sem entender, e ouvi Gabriel continuar: — Se a investigação der certo, poderemos provar nossa inocência. Mas se não der... os estagiários costumam levar a culpa.
Um peso pesou de repente sobre o meu coração.
Logo, a notícia sobre a criação da equipe de investigação do hospital foi publicada no site oficial. Muitas pessoas apoiaram, mas a minha situação ficou ainda pior.
Ao voltar para o departamento depois do almoço, encontrei o Dr. Carranca orientando outro estagiário. Quando me viu entrar, ele começou a agir com sarcasmo: — Olha só, não é a famosa do nosso departamento? E aí, está achando divertido aparecer tanto?
Não soube o que responder, mas percebi que todos me olhavam de um jeito diferente.

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