Fechei as mãos e deslizei os dedos para dentro do braço dobrado dele. O músculo por baixo do tecido caro se contraiu de repente, feito um arco sendo esticado no escuro.
Era a minha primeira vez indo a uma festa pública daquele tipo com Norberto.
E claro, a primeira vez para Norberto também.
No segundo seguinte, o garçom abriu a grande porta banhada a ouro, revelando vários convidados usando vestidos deslumbrantes que gritavam ostentação e elegância em cada detalhe.
O mordomo anunciou "O Dr. Cavalcante chegou", e um silêncio rápido engoliu a multidão até que todos os olhares se voltassem na nossa direção.
Apertei o braço do homem sem perceber e acompanhei Norberto até o meio daquelas pessoas.
Com a proximidade, consegui enxergar a mulher de uns quarenta ou cinquenta anos que estava de pé no meio do salão usando um vestido chinês.
A seda verde esmeralda resplandecia debaixo dos lustres e abraçava o corpo dela, com saltos cobertos de pérolas que tocavam o tapete persa de leve. O bracelete de jade em seu pulso brilhava com cada movimento da sua mão que segurava uma xícara de chá. Até o pedaço de perna que escapava pela fenda do vestido trazia um ar de preguiça e de realeza que nenhuma moça de vinte anos conseguiria imitar.
Ao nos ver, ela curvou o canto dos lábios num sorriso e cumprimentou: — O Norberto chegou.
Ela tinha até usado um tom íntimo com Norberto.
Norberto também largou aquela pose arrogante e respondeu com respeito: — Fiz a Senhora Beatriz esperar.
Senhora Beatriz.
Então ela deveria ser a Sra. Beatriz Neves?
Será que ela tinha alguma ligação com Gabriel?
— Imagina, eu sei como a vida de vocês é agitada — a Sra. Beatriz Neves disse com uma voz doce. — Só de você ter vindo eu já fico muito feliz.
Fiquei encarando o rosto dela e sentia que não me era estranho, mas não lembrava de onde. Até que meus olhos encontraram os dela.


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