Quando a valsa começou a tocar, Norberto me puxou para a pista de dança.
Os movimentos dele eram bem naturais.
Olhei para ele surpresa, virei o rosto levemente para olhar a senhora Beatriz e Gabriel parados mais longe, mas a minha visão foi bloqueada pela figura alta do homem.
— Parece que atrapalhei os planos da Dra. Monteiro — A mão grande de Norberto segurou a minha cintura. — O que foi? Aceitou ser a minha acompanhante, mas ficou pensando em dançar com outro?
Desviei o olhar, foquei no rosto firme do homem e expliquei: — Não é nada disso.
Era apenas difícil recusar naquela hora.
— Não? — Norberto diminuiu a distância entre nós dois de repente, a respiração quente dele bateu no meu rosto, e ele falou num tom contido: — Mas pela expressão da Dra. Monteiro agorinha, vi que você estava com muita vontade.
Norberto estava colocando a culpa em mim à toa.
Fiquei sem opções e precisei agradá-lo: — Já que eu aceitei ser sua acompanhante, é claro que vou cumprir a minha obrigação.
Senti um aperto no ombro, e a mão do homem forçou mais o contato ali. Ouvi Norberto repetir: — Obrigação? Então eu devo elogiar a Dra. Monteiro?
Com sarcasmo.
Eu não tinha paciência para discutir com ele.
O coquetel que bebi nos brindes começou a queimar no estômago sem aviso, e a mão que eu apoiava no ombro de Norberto tremeu de leve. Só então me dei conta de que o efeito do álcool era mais forte do que eu imaginava, e estava tomando conta da minha razão aos poucos.
Eu estava um pouco tonta.

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