O que precisava ser dito, eu já havia dito. Saí direto do vestiário.
Eu realmente não queria ficar no mesmo ambiente que Norberto e Antonella. O meu marido e a protegida dele se amavam de forma profunda e apaixonada, mas para mim, aquilo era incrivelmente doloroso de ver.
No entanto, logo depois de sair do vestiário, ainda ouvi o Dr. Carranca se desculpando com Norberto:
— Sinto muito, Dr. Cavalcante. O temperamento da Noemia é muito obstinado. Depois eu vou dar uma boa bronca nela e pedir para vir se desculpar com você e com a Dra. Lima.
Então, ouvi a voz ainda chorosa de Antonella:
— Melhor não, Dr. Barros. Talvez, talvez a Noemia só tenha feito isso em um momento de raiva... Norberto, por favor, não seja duro com ela. Afinal, afinal, somos todos colegas da mesma faculdade.
Ah... As entrelinhas dessa frase deixavam claro que ela tinha certeza de que eu era a pessoa que havia denunciado Norberto.
A minha colega júnior, que estava chorando rios de lágrimas na frente de Norberto momentos atrás, ainda não tinha esquecido de interceder por mim. Era muito coleguismo mesmo.
Eu nem sabia se devia agradecer pela bondade dela.
Mas o que fez Norberto ficar tão irritado a ponto de me ofender verbalmente pareciam ser justamente aquelas lágrimas de injustiça, certo?
— Exatamente por causa dessa relação que o assunto precisa ser tratado com seriedade. Ah, essa Noemia... — O Dr. Carranca ainda tentava apaziguar.
— Claro que vou cobrar. — A voz de Norberto ecoou por todo o local, fria e implacável, sem o menor traço de compaixão.
Porém, a frase seguinte, direcionada a Antonella, foi nitidamente mais suave e pacífica:
— Não precisa interceder por ela. Vamos resolver isso quando sair o resultado da investigação do hospital.
O resto eu já não ouvi. Na verdade, depois de ouvir Norberto dizer que com certeza cobraria, não aguentei mais escutar.
Acelerei os passos para sair dali, com o coração dominado pela desolação.

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