O rosto de Norberto ficou horrível. O sorriso desapareceu por completo e os lábios se comprimiram. Atrás dos óculos de aro prateado, os cantos de seus olhos ganharam um tom vermelho. A raiva se formou como um vento furioso, levantando ondas gigantes: — Ótimo, Noemia, você é realmente incrível.
Encarei aqueles olhos vermelhos, sem desviar e sem recuar: — Gentil da sua parte, o sentimento é mútuo.
A Sra. Márcia foi realmente inútil ao sugerir que eu desse mais uma chance a Norberto. Que chance? A chance de ser ironizada, humilhada e ridicularizada por ele?
Esquece.
A esta altura, eu já não tinha medo de nada. Eu e Gabriel éramos só amigos. Se houvesse alguma coisa mal explicada ali, o problema real era entre ele e Antonella.
Eu não queria mais ficar bajulando. Multa por rescisão? Eu não me importava.
De qualquer jeito, em um ou dois dias nos divorciaríamos.
A tempestade entre nós ficou cada vez mais forte, e o meu sangue também começou a ferver.
Ele no carro, eu do lado de fora. Luz e escuridão. O ar estava silencioso, mas barulhento ao mesmo tempo.
Até que eu pensei que a raiva ia explodir de vez e as ondas iam se chocar contra o meu rosto. De repente, Norberto ligou o motor. O som rugiu na rua silenciosa e pude ouvir as últimas palavras que ele lançou: — Noemia, você realmente não tem coração.
Os faróis do carro de Norberto sumiram mais rápido que os de Gabriel agora há pouco. Em um instante, o carro rugidor sumiu na esquina da rua.
O carro saiu levantando um vento que bagunçou meu cabelo, e foi como se eu tivesse levado um tapa invisível bem no rosto.
O meu sangue, que estava quente e agitado, esfriou aos poucos conforme o carro ia embora. Outra rajada de vento noturno soprou, e de repente senti tanto frio que precisei me abaixar e me abraçar apertado.
Uma lágrima rolou e caiu no chão, e depois vieram outras.
Engraçado, eu achei que estava anestesiada, achei que não ia mais chorar.

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