O nome da sala privada era Suíte Horizonte Azul, um nome maravilhoso. Quando segui a placa e empurrei a porta para entrar, acabei vendo exatamente a cena do meu marido Norberto abraçado com a sua queridinha Antonella.
Mais precisamente, Antonella estava escorada no abraço dele.
O braço de Norberto envolvia os ombros dela. E do meu ângulo, os seus lábios pareciam estar colados ao ouvido dela.
Naquele instante, os meus passos pararam. Todo o sangue do meu corpo subiu à cabeça e o meu coração pareceu parar de bater, enquanto o meu corpo congelou no lugar.
Eu já tinha visto Norberto e Antonella lado a lado e já o tinha visto protegê-la pelas costas. Eu até já os havia levado pessoalmente a um encontro, parando o carro embaixo do ninho de amor deles e observando a luz acender no andar de cima.
Dava para imaginar o que acontecia dentro daquela casa.
Mas essa era a primeira vez que eu via diretamente o clima íntimo deles.
Eles estavam se beijando.
Os olhos de Antonella eram bons. Ela percebeu rapidamente que eu estava parada na porta e saiu em pânico do abraço de Norberto. Depois, com o rosto vermelho, ela tentou me explicar:
— Noemia, não é isso que você viu. O fecho do meu colar abriu de repente e o Norberto estava só ajudando a consertar.
Os olhos amendoados e redondos estavam cheios de ansiedade.
Ela não precisava mesmo explicar. Especialmente, não precisava me dar explicações.
Porque ela não tinha essa obrigação.
Quem realmente precisava me explicar era o meu marido Norberto.
Mas Norberto não se explicou. Ele apenas ajeitou o colarinho da garota com suavidade:
— Pronto.
Ele então se virou para me olhar. Os seus olhos escuros estavam calmos, como se o que tinha acontecido agorinha fosse algo extremamente comum. O seu tom foi muito plano:
— Sente-se.


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