Um cheiro de sangue ainda se espalhava na minha boca, e o sangue no meu corpo ainda estava agitado pelo que acabara de acontecer, mas meu coração estava repleto de tristeza.
Essa era a diferença.
Norberto se importava com meu relacionamento com Gabriel, não porque se importasse comigo, mas por causa de sua possessividade e autoestima como homem.
Ele veio me questionar e me avisar, pedindo que eu me contivesse e não o aborrecesse. Suas palavras eram apenas ameaças ou escárnio.
A pessoa com quem ele se importava era Antonella, por isso ele a defendia e cuidava tanto dela. Até o jeito de falar com ela era sempre suave e gentil.
— Norberto, achei que você tivesse se perdido. — O tom da garota continha ansiedade, e ela pareceu descobrir algo de repente, perguntando com preocupação e nervosismo. — Como seus lábios se machucaram? Estão sangrando...
— Não é nada. Bati acidentalmente no dente e ralei a pele agora pouco. — O tom de Norberto soou extremamente natural, sem demonstrar a menor falha.
A garota sentiu muita pena: — Deve estar doendo muito.
— Como eu poderia sentir dor com você ao meu lado?
Uma risada suave, cheia de flerte.
Eu não queria ouvir mais nada. Abri a torneira. O som da água caindo encobriu a risada tímida e doce da garota lá fora. Esforcei-me para lavar meu rosto e meus lábios.
Esfreguei até meus lábios ficarem vermelhos e inchados. Olhei para mim mesma no espelho, com um sorriso amargo e forçado nos lábios.
Perdi de novo.
Eu não queria ser a palhaça, mas acabei sendo. Norberto continuava sendo poderoso, conseguindo incitar emoções no meu coração com facilidade, me deixando triste e envergonhada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Que Ele Nunca Mostrou