A Sra. Márcia esbugalhou os olhos: — Se não foi você, quem é que foi? Quem mais poderia morder o pescoço do Norberto além de você?
— Juro que não fui eu. — A minha voz estava amarga. No fundo do meu peito brotou um desgosto, algo que aumentava. Meu pescoço latejava tanto que não falei mais nada. Somente me justifiquei seca e fraquejante: — Ele nem foi para casa ontem à noite.
— Noemia Monteiro, você bebeu muito ontem à noite, não é? Você nunca aguentou bebida. Será que exagerou no álcool e acabou apagando a memória? Como o Norberto poderia não ir para casa, será que você simplesmente esqueceu? — A Sra. Márcia estava ainda mais apressada, arrancando a manga da minha roupa enquanto o tom tornou-se enervado.
Por causa de toda a ansiedade, ela nem viu que havia apertado a carne do meu braço, quer dizer, a camada fina da pele. Dizia-se beliscar a carne, mas aquilo, na verdade, era bem doído.
Mas nada comparado ao vazio do meu coração naquele instante. Pelo contrário, aquela dor até me ajudou a perder a atenção e aliviar a dor no meu peito.
Tentei erguer os cantos do lábio e sorrir para a Sra. Márcia, tentando forçar o meu tom a ficar relaxado: — Beber não altera as minhas memórias. E ele não voltou, de verdade.
— É impossível. Se ele não voltou, como é que haveria essa marca no seu pescoço? Consegui ver os detalhes muito bem. Essa marca de mordida tem o formato dos seus dentes, até os caninos combinam. — A Sra. Márcia, de fato, teimou e jogou toda a culpa daquela marca para as minhas costas.
Já nem conseguia rir: — Você acha que vai faltar mulher para o Norberto? Ele não tem que ficar só comigo. O que te faz acreditar que essa marca de mordida foi minha?
A Sra. Márcia tinha tanta vontade que eu e o Norberto ficássemos bem e reatados, que assim que ela viu o chupão no pescoço do homem, foi precipitada ao deduzir que era minha marca, achando até mesmo que a mordida dos meus caninos lá estivessem.
Na verdade, mesmo com a marca da mordida em inchaço pelo pescoço de Norberto, detalhes exatos encontravam-se confusos, por conta disso, a dedução que de fato restava era apenas imaginação que vinha de dentro da mente da Sra. Márcia.
— Que quer dizer com isso, Noemia? — A fisionomia da Sra. Márcia mudou radicalmente nesta hora: — O que quer dizer é que Norberto tem outra mulher?
Cai em mim que havia dito algo errado.

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