Mas ele já me acompanhou para alimentar gatos de rua. Embora fizesse uma cara um pouco insatisfeita, ele ainda esperava pacientemente do lado até eu terminar de alimentá-los e fazer carinho, para depois me levar para casa para lavar as mãos e me desinfetar.
Mas isso já faz muito tempo, pelo menos dois anos, ficou tudo no passado.
Depois, eu nem tive mais a chance de sair para passear com ele. Como ele iria me acompanhar para dar comida aos gatos de rua?
Menos ainda iria criar um gato em casa.
— Já crio há três anos. — Norberto bufou. — Sempre foi bem obediente, até achei que fosse de verdade. Não esperava que a docilidade fosse fingida. Ultimamente, começou a dar trabalho querendo fugir de casa e até procurar uma nova família. Eu dei uma bronca nela e ela me mordeu de volta.
Que gata? O Norberto claramente estava falando de mim.
Ele me comparou a uma gata. Disse que fui criada por ele por três anos, fingi docilidade por três anos e, ultimamente, comecei a fazer bagunça querendo sair de casa e encontrar um novo lar, até que o mordi.
Como assim o mordi de volta? Foi ele quem me atacou!
Foi ele quem pediu o divórcio e ainda usou o Acordo de Separação cheio de condições duras para me obrigar a assinar. Como não concordei com suas exigências sem sentido, ele resolveu me humilhar!
No quarto ao lado do Ricardo Monteiro, ele rasgou minhas roupas, nem se importando com os meus sentimentos, e abusou de mim de forma rude.
E agora, o jogo vira e ele diz que quem morde sou eu.
Cerrei os dentes e segurei a vontade de falar, mas ouvi a voz da Antonella: — Norberto, então você tinha uma gata? Mas por que ela morderia alguém? Será que ela pegou alguma doença? Quer que eu te acompanhe para levá-la a uma clínica veterinária depois?
A garotinha tinha muito amor para dar. Queria até ir com Norberto levar a gata ao médico.
— Você não pode ficar com um gato que morde. Que absurdo, nem reconhece o dono! Se me perguntasse, eu daria um fim a ele logo, para não morder mais no futuro. — A voz alta de Camila soou novamente, dando um conselho diferente.
Elas realmente achavam que o Norberto falava de um gato de verdade.

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