Era cômico.
Norberto ainda tinha a audácia de usar as minhas obrigações como esposa para tentar me calar.
Ele esqueceu do que aconteceu entre nós e até onde a nossa relação tinha chegado?
— Dr. Cavalcante, deixa eu te lembrar uma coisa de forma bem amigável. Você já assinou o Acordo de Separação. O nosso casamento vai acabar logo. — Soltei uma risada amarga, olhando para os olhos penetrantes dele na escuridão, e falei palavra por palavra. — Eu não sou mais a Sra. Cavalcante, não preciso cumprir obrigação nenhuma.
Talvez minha voz estivesse fria demais, ou talvez ele nunca tivesse me visto agir com tanta agressividade. Naquele instante, o ar quente de repente parou, e a temperatura caiu, deixando tudo frio entre nós.
O corpo do Norberto travou. A mão que segurava meu pulso apertou com força, tremendo um pouco: — O que você disse?
— A sua audição está ótima, não preciso repetir. — Minha voz ficou ainda mais gelada, enquanto eu soltava a mão dele de novo. — Além disso, se o doutor não quer deixar a namoradinha triste, é melhor manter uma certa distância de mim na frente dos outros. Como agora, por exemplo. Se ela passar o cartão e entrar, o que vai pensar ao nos ver desse jeito?
A Camila tinha levado o cartão do último quarto para o Norberto e a Antonella mais cedo.
Aquele cartão devia ser o desse quarto.
Este devia ser o quarto que os dois iriam dividir nessa viagem.
E ele estava ali me encurralando, me beijando à força. Se ela visse aquilo, não ficaria arrasada?
Ele a amava tanto, como não percebeu um detalhe desses?
O corpo dele parecia paralisado, então consegui empurrá-lo com facilidade.
Quando abri a porta para sair, ele segurou o meu braço outra vez. A voz dele saiu baixa e rouca: — Você não pode ficar com o Gabriel!
Que absurdo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Que Ele Nunca Mostrou