Eu saí de fininho da sala de reuniões em meio à multidão que observava.
Surpreendentemente, assim que dei dois passos, esbarrei de frente com Gabriel Neves.
Ele também me viu e me cumprimentou com voz gentil: — Srta. Monteiro, não encontrou o Doutor Cavalcante?
Gabriel trabalhava com Norberto. Tinham a mesma idade, mas Gabriel havia entrado no departamento de neurocirurgia um ano depois, então ainda era residente.
Nós nos conhecíamos apenas porque ele cruzou comigo algumas vezes quando fui levar roupas limpas e mingau para Norberto.
Depois, quando Norberto estava muito ocupado, pedia para eu me entender com Gabriel. Com o tempo, acabamos nos acostumando um com o outro.
Pensando agora, temo que o fato de Norberto estar ocupado fosse mentira, ele só não queria mesmo me ver.
Mas Gabriel não pareceu surpreso com o fato de eu estar fazendo a prova escrita no Hospital Memorial?
— Ah, ele comentou que viria dar uma olhada durante as rondas agora pouco. — Notando o meu silêncio, Gabriel acrescentou: — Pelo visto, não se cruzaram?
Ele claramente usou um tom de pena na última frase.
Como se eu e Norberto não termos nos encontrado fosse algo lamentável.
Mas ele entendeu errado. Norberto veio mesmo, mas só para ver Antonella.
Talvez percebendo o meu humor, Gabriel mudou de assunto e perguntou: — Como foi a prova? Estava difícil?
Assim que me preparei para responder, fui interrompida pelas fofocas atrás de mim.
— As meninas de hoje em dia sabem se aproveitar muito da beleza para ganhar favores com os superiores. Nós estudamos tanto tempo para essa vaga e parece que todo o nosso esforço vai ser em vão.
— Verdade, afinal ela se envolveu com o especialista em neurocirurgia. Já está com um pé dentro do Hospital Memorial!



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