— Senhora, se tiver algo a me dizer, terá que esperar. Estou ocupada, indo trocar o curativo do Lucão.
Ela disse, prestes a entrar no quarto.
De repente, sentiu suas mãos vazias.
As coisas estavam agora com Manuela.
— O que está fazendo?! — O sorriso de Júlia desapareceu.
Manuela respondeu: — Agradeço sua gentileza, mas não preciso da sua ajuda para trocar um curativo. Eu mesma faço.
— Com que direito?!
— Com que direito? — Manuela sorriu, uma boa pergunta. — Com o direito que a minha relação com o Lucão me dá. Comigo aqui, por que precisaríamos de você?
Dito isso, ignorando a expressão sombria no rosto da outra, ela entrou elegantemente no quarto.
Lá dentro, Lucas acabara de sair do banho.
Vestia um roupão, que revelava sutilmente um peito firme e bem desenhado.
Manuela apenas vislumbrou a cena e sua mente, por reflexo, reviveu a noite anterior.
Suas orelhas, sem que pudesse controlar, ruborizaram discretamente.
— O que faz aqui? — Ao vê-la, Lucas pareceu surpreso.
Uma simples frase foi o suficiente para apagar completamente as fantasias da mente de Manuela.
Um peso se instalou em seu coração.
Por que não poderia ser ela? Quem ele esperava ver? Júlia?
Ao pensar que, se não tivesse aparecido naquele exato momento, Júlia teria entrado, sentiu-se ainda mais desanimada.
— ... Vim trocar seu curativo.
Lucas hesitou por um instante e disse: — Não precisa fazer isso. Vá descansar. Deixe que outra pessoa faça.
— Que outra pessoa? — Manuela deixou escapar, percebendo que seu tom soou ríspido, quase como uma acusação.
Ela rapidamente recompôs sua expressão.
— Sou sua esposa. Existe alguém mais apropriado do que eu? — Embora ainda não tivessem se casado oficialmente devido à sua perna ferida, era apenas uma questão de tempo.
Por isso, ela falou com convicção, resmungando: — Eu vou trocar o seu curativo!
Lucas ficou sem palavras.
Ele apenas queria poupá-la da visão desagradável do ferimento, por isso a recusa sutil.


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