O homem que apoiava a senhora na cama levantou o olhar ao ver Yunice. A surpresa passou por seu rosto, imediatamente substituída por uma carranca.
Yunice também se assustou ao encontrar Wyatt ali.
Mas logo voltou a atenção para a mulher deitada na cama.
Uma senhora idosa, provavelmente beirando os setenta anos, se contorcia descontroladamente. Os olhos revirados, perdidos, sem foco.
O que fez Yunice franzir ainda mais a testa foi ver Wyatt com o pulso pressionado contra a boca da velha, já mordido com tanta força que deixara marcas profundas.
A expressão dele era tensa. Ele lançou um olhar rápido para Yunice antes de gritar com as empregadas: “Onde diabos tá o médico?”
A empregada que havia guiado Yunice até ali gaguejou: “É ela! Ela é a médica!”
Wyatt lançou um olhar gelado para a moça, com a raiva aumentando. “Ela? Médica? Não me façam rir!”
Ela recuou com a bronca, assustada. Por um instante, realmente se perguntou se aquele era o mesmo homem que, dias atrás, havia passado óleo medicinal com tanto cuidado em seus hematomas.
A velha parecia prestes a parar de respirar a qualquer momento. Incapaz de confiar nas empregadas, Wyatt puxou o celular e ligou furiosamente para um de seus homens, exigindo que encontrasse o melhor especialista imediatamente.
Ao desligar, tentou levantar a mulher nos braços para levá-la ao hospital.
Só quando os joelhos quase cederam, ele se lembrou era um aleijado.
Sem sua bengala, não conseguia se mover com liberdade, muito menos carregar alguém desacordado.
Seu rosto perdeu toda a cor. Era como se pudesse ouvir o som de seu orgulho sendo esmagado.
Enquanto a mulher ainda convulsionava, Wyatt abaixou a cabeça, com a vergonha obscurecendo sua expressão. Era inútil. Completamente inútil.
Mas, no instante em que afundava nesse pensamento, alguém o empurrou de lado.
Sem apoio para se firmar, o empurrão o fez cair desajeitadamente sobre o tapete.
As duas empregadas congelaram, olhando para ele em silêncio aterrorizado.
Os olhos de Wyatt se arregalaram, encarando com fúria a “coelhinha indefesa” que o havia derrubado.
Mas Yunice nem olhava para ele.
Com a testa franzida de concentração, virou cuidadosamente a senhora de lado, limpou a boca em busca de obstruções e sustentou o queixo dela de modo a esticar o pescoço na posição ideal.
A mulher seguia convulsionando. Espuma e saliva escorriam de sua boca. Parecia a um passo da morte.
Yunice, calma e focada, disse com firmeza: “Ela está tendo uma convulsão. Não pode deixar as vias respiratórias dela se bloquearem.”
Lançou um olhar para Wyatt. “Deixar ela morder seu braço é perigoso. Ela pode engasgar com as secreções e sufocar. Isso pode matá-la em poucos minutos.”
A raiva de Wyatt começou a se dissipar enquanto ouvia.

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