Yunice sentou-se diante da penteadeira, secando o cabelo com uma toalha, mas sua mente continuava voltando ao que aquela criança tinha dito durante o ataque.
Wyatt, percebendo a expressão fechada dela, apoiou-se atrás da cadeira, com os braços de cada lado. “Está chateada?”
O olhar dele encontrou o dela no espelho. “Quer que eu chame aquele pirralho de volta e o pendure para apanhar?”
Yunice murmurou: “Aquele garoto era estranho. O tempo todo enquanto me atacava, ficava gritando que estava punindo uma destruidora de lares…”
Ela se virou para Wyatt, a voz carregada de frustração. “Como ele saberia que sou uma destruidora de lares?”
A expressão dele ficou séria. “Você não é.”
Yunice baixou os cílios e então voltou-se para o espelho, retomando lentamente o movimento de secar o cabelo.
Ela não falou mais nada.
Wyatt, claramente irritado, saiu para a varanda e acendeu um cigarro.
Ele ligou para Jordan. “Consiga a lista de convidados do leilão de hoje.”
Aquele pequeno demônio não conhecia Yunice. Nem sequer sabia quem ela era. Não havia como ele ter informação suficiente para atacá-la com aquele tipo de insulto, a menos que alguém o tivesse instruído.
Wyatt já tinha lidado com o garoto. Agora iria atrás de quem estava por trás disso.
Não demorou para Jordan retornar com a resposta. “Maine apareceu, mas saiu mais cedo.”
Wyatt esmagou o cigarro entre os dedos, o rosto carregado de raiva.
Exatamente como ele imaginava.
A voz dele saiu fria, carregada de hostilidade. “Se ela está tão entediada, então dê algo para ela fazer. Não quero que ela fique me vigiando como se fosse o trabalho dela.”
Jordan respondeu, imediatamente: “Entendido. Vou cuidar disso.”
Enquanto isso, Yunice continuou sentada diante da penteadeira, sabendo que Wyatt cuidaria do assunto. Ela não deixou aquilo pesar em sua mente.
O que realmente a preocupava agora era Oscar.
Ela franziu a testa ao olhar para o telefone. Por que o GPS dele mostrava que ele estava numa delegacia?
Nesse momento, a ligação de Owen apareceu, abrupta e assustadora.
Yunice se sobressaltou. O telefone escorregou de sua mão e caiu no chão.
Wyatt o pegou e o entregou de volta sem dizer uma palavra.
Yunice lançou um olhar para ele. Nenhum dos dois mencionou a tensão de antes.
A chamada de Owen ainda estava tocando. Yunice a recusou.
Quase imediatamente, outro número desconhecido apareceu. Ela atendeu.
O coração dela afundou. Ela conhecia bem demais aquela expressão.
Perguntou: “Você descobriu?”
Wyatt disse, de forma tranquila: “Elsie foi fotografada sendo violentada em um hotel.”
Yunice estremeceu. Aquilo… Era muita coisa para processar.
Não era de se admirar que Owen tivesse perdido o controle. Mas o que aquilo tinha a ver com ela? Não tinha sido ela quem mandou alguém fazer aquilo.
Yunice perguntou, com cautela: “Será que isso não pode ser mais um dos truques da Elsie?”
Ela não sentia simpatia pela garota, apenas cautela. Já tinha sido enganada por ela vezes demais para confiar cegamente em qualquer coisa que a envolvesse.
O olhar de Wyatt ficou ainda mais tenso e, após um momento de silêncio, ele soltou outra bomba.
“Quem orquestrou tudo foi o Oscar...”
“Impossível!”
A reação de Yunice foi imediata e visceral. Ela nem chegou a processar completamente o que Wyatt tinha dito antes de seus instintos rejeitarem aquilo com força total.
O som da própria voz a surpreendeu. Ela baixou o tom. “Isso só pode ser uma armação.”
Wyatt não se apressou em tranquilizá-la. Em vez disso, explicou com calma: “Há várias testemunhas. A história já chegou à mídia. Está se espalhando rápido na internet. Oscar foi levado sob custódia. Não estão permitindo visitas.”

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