Eles cresceram juntos. Owen sempre achou que a amizade entre eles era sólida, especialmente durante aqueles dois anos em que Paul namorou Elsie.
Naquela época, Owen até passou a se chamar de cunhado de Paul, o que lhe dava certo orgulho.
Mas, em algum momento, algo mudou.
Paul desenvolveu uma presença perturbadora. Agora, sempre que Owen o via, um arrepio percorria sua espinha.
Mesmo suspeitando que ele pudesse saber algo sobre o que aconteceu com Elsie, não ousava confrontá-lo diretamente.
Tinha medo de estar errado e provocá-lo.
Diziam que Paul tinha perdido o controle... Ele chegou até a atacar o próprio pai com uma faca.
E antes de Elsie morrer, Owen tinha perguntado quem a havia machucado, mas ela não teve forças para dizer com clareza.
Paul olhou para a urna nas mãos dele e curvou os lábios. “Vim me despedir de Elsie.”
Então, acrescentou: “Posso ficar um momento a sós com ela?”
Tanto Owen quanto Lily hesitaram. Havia algo na expressão de Paul que não parecia certo.
Não parecia que ele estava ali para lamentar de forma sincera. Eles não queriam soltar a urna.
Mas Paul disse: “Sra. Lily, coloque o retrato dela no chão. Quero prestar minhas homenagens.”
Lily relaxou e colocou a foto de lado.
Mãe e filho se afastaram, mantendo certa distância.
Lily enxugou as lágrimas e sussurrou para Owen: “O que aconteceu com o Paul? Ele está assustador…”
Owen franziu a testa, tentando ouvir o que ele dizia.
Paul fez uma leve reverência e colocou um buquê diante do retrato de Elsie.
Ele sorriu de canto, com um brilho de deboche nos olhos. “Você gostava dos seus joguinhos, não é? Estava planejando te envolver em um de verdade. Quem diria que um único movimento seria suficiente para te matar?”
“Elsie, ainda não tinha terminado com você. Se estiver se sentindo injustiçada, vire um fantasma e venha me procurar. Vamos continuar jogando. Você era inútil em vida, mas na morte? Perfeita, uma ferramenta ideal para vingança.”
Seu sorriso se tornou distorcido. “Você odiava a Yunice, não é? Isso nos torna aliados. Quando eu derrubar Wyatt, vou atormentar os dois por você. Apenas observe.”
Paul parecia estar falando sozinho.
De onde estava, Owen só via seus lábios se moverem, não conseguia ouvir uma palavra.
Owen não estava com o cinto... Quase deixou a urna cair.
Peggy tinha pisado no freio.
Depois do susto, Owen gritou: “Não sabe dirigir direito?”
Ele verificou a urna desesperadamente, com medo de que tivesse sido danificada.
Peggy olhou para ele friamente, cruzando os braços. “Nós vamos nos casar, você querendo ou não. Não vou esperar três anos.”
“Você mora na minha casa. Qual é a diferença?”, Owen retrucou. “Se alguém da sua família tivesse acabado de morrer, daria uma festa logo depois?”
Peggy bufou. “Te dou um mês. Só isso.”
“A Elsie não era uma celebridade. Ninguém vai lembrar daqui um tempo. O que importa é o meu casamento!”
Owen nem se deu ao trabalho de discutir. Ele prolongaria isso o máximo que pudesse.
Quando chegaram em casa, Peggy ligou para Yunice.
“Você pode falar com o gerente? Ver se seria possível adiar meu banquete para daqui um mês?”

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