“Abra e dê uma olhada”, disse Wyatt, agora ignorando Victor.
A expressão de Yunice mudou levemente. A confiança dele a intrigou... O que ele havia trazido que o deixava tão certo de que ganharia sua preferência sobre Victor?
A mão dela pairou sobre a caixa de Wyatt. Um peso silencioso se instalou em seu peito.
Aquele era um momento delicado. Não importava o que ele tivesse trazido, ela precisava ser diplomática. Desapontar qualquer um dos dois teria um preço.
Victor claramente tinha se esforçado muito para conseguir o chifre de rinoceronte. Yunice não podia permitir que o esforço dele parecesse ignorado.
Mas Wyatt estava tornando aquilo um desafio... Não deixaria que ela simplesmente evitasse a questão.
Então Yunice cedeu e abriu a caixa.
Victor manteve o rosto neutro, mas seus olhos se voltaram para dentro dela. Ele também estava curioso, mesmo acreditando que nada que Wyatt oferecesse o superaria.
Afinal, Yunice precisava de chifre de rinoceronte mais do que qualquer coisa naquele momento.
“Chifre de rinoceronte?” A voz dela carregou um traço de surpresa genuína.
Victor franziu a testa. Seu olhar se tornou um pouco estranho ao encarar a caixa na mão de Wyatt. Dentro havia, sem dúvida, um chifre de rinoceronte.
Wyatt pareceu satisfeito. “Gostou? Não foi você quem disse alguns dias atrás que precisava de chifre de rinoceronte para ajudar seu amigo?”
Mas a expressão no rosto de Yunice e de Victor não era exatamente o que Wyatt esperava.
Sempre perspicaz, ele percebeu imediatamente que algo estava errado.
Seu sorriso diminuiu um pouco. Então, sem dizer uma palavra, levantou a tampa da caixa de Victor.
Dentro havia outro chifre de rinoceronte, quase idêntico.
Os olhos dele se arregalaram por dois segundos antes de sua expressão esfriar, a mandíbula se contraindo.
Yunice ficou tensa.
Então Wyatt curvou os lábios. “Então pediu um ao Victor também. Pelo visto, o meu foi meio redundante.”
Antes que Yunice pudesse falar, Victor interveio, com suavidade. “Não se subestime. Já que você sabia que ela precisava de chifre de rinoceronte, deve ter lhe contado pessoalmente. Apenas cheguei primeiro.”
Wyatt lançou um olhar de cima a baixo em Victor, com um sorriso de canto. “Você realmente sabe transformar um insulto em educação.”
Então cheguei tarde, e isso significa que não me importo o suficiente? É isso?
O ar entre eles ficou tenso.
Freya não pareceu surpresa. “Bom, isso não é chocante. Chifre de rinoceronte não é algo barato, nem comum. Se a Yunice precisava, faz sentido o Wyatt também conseguir um.”
Victor concordou. “Quando ela veio me pedir ajuda pela primeira vez, pensei que Wyatt fosse indiferente a ela. Mas agora, parece que o julguei mal.”
Freya arqueou a sobrancelha. “Engraçado ouvir isso. Não era você que não suportava a atitude arrogante de capitalista dele?”
Victor soltou uma leve risada. “É porque sei exatamente o quão difícil é conseguir chifre de rinoceronte.”
“Você esqueceu?”, acrescentou, em tom pensativo. “O que encontrei desta vez originalmente fazia parte de um par. Achei que teria mais estabilidade medicinal, então tentei conseguir os dois.”
Os olhos de Freya brilharam. “Ah, verdade. Mas não tinha outro comprador que vivia competindo com a gente pelo par? Um cliente misterioso. Quase perdemos os dois chifres para ele. Só conseguimos um no fim graças a relações antigas com o fornecedor.”
O tom de Victor permaneceu calmo. “Esse cliente misterioso… Era o Wyatt. O chifre dele era o outro do mesmo lote.”
Freya assobiou. “Não é à toa que foi tão difícil. Estávamos batendo de frente um com o outro sem nem saber.”
Ambos perseguindo o mesmo objetivo por Yunice. E isso lhes custou semanas de esforço, tudo porque nenhum sabia o que o outro estava fazendo.
Mas, no fim, tudo deu certo.
E, por isso… Ninguém tinha mais nada a dizer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha Invisível