"Se ele ousar causar confusão na minha escola," disse Yunice, "nem vou perder tempo conversando com ele."
Freya soltou um "uuh" provocativo e riu. "Você não tem medo de nada, né?"
Mas Yunice não era boba. Se queria mantê-lo calmo, precisava jogar a isca primeiro.
Ela abaixou o vidro da janela, tirou uma foto da paisagem e enviou para Wyatt no WhatsApp.
Wyatt estava no meio de uma reunião. Dois executivos discutiam acaloradamente de cada lado da mesa, vermelhos de raiva, tentando se sobrepor aos gritos.
Ele baixou o olhar e abriu a mensagem de Yunice.
A foto era curiosa—um clique do retrovisor do carro.
Pelo reflexo, ele percebeu que era um Porsche vermelho, claramente um carro feminino.
O que chamou sua atenção foi a borboleta azul enorme pousada na borda do espelho. Yunice provavelmente achou bonita e resolveu fotografar.
E como ela estava tirando a foto do espelho, seu rostinho delicado apareceu refletido, pequeno como a palma da mão.
Wyatt deu zoom, analisando o reflexo de Yunice no espelho.
Depois aumentou ainda mais. E de novo.
Suas sobrancelhas se franziram levemente, como se algo não estivesse certo.
Imediatamente, ele ligou para ela. "Onde você está agora?"
Yunice desviou da pergunta. "Tá bonito?"
Wyatt hesitou. "Tá bonito... você sempre é bonita."
"Eu quis dizer a borboleta," disse Yunice.
Wyatt respondeu: "Você colocou uma borboleta falsa no espelho só pra me perguntar se uma borboleta de mentira é bonita?"
"Pfff!" Freya caiu na risada do banco do motorista.
O rosto de Yunice ficou vermelho. Suas habilidades no Photoshop deveriam ser impecáveis—como ele percebeu?
Enquanto ela tentava entender onde errou, Wyatt insistiu: "Você está na Rodovia Jinggang agora, não está? Indo pra faculdade? E não me avisou? Hmm?"
"Responde, Yunice."
Freya segurou o volante, rindo tanto que quase perdeu o fôlego. Olhando para frente, ela disse: "Não fica bravo assim, senhor Wyatt. Você vai assustar ela."
Wyatt ficou em silêncio.
Freya continuou: "Ela não te contou porque não queria que você se preocupasse. É o jeito dela de cuidar de você."
Mas ela logo percebeu e olhou para cima, analisando o visual de Tommy. "Você está trabalhando na universidade agora?"
Tommy deu um sorriso modesto. "O mercado de trabalho está difícil. Depois de várias entrevistas, percebi que aqui ainda era o melhor lugar pra mim."
"Que bom pra você," disse Yunice.
Tommy fez um gesto para Freya. "Essa deve ser sua irmã? Parece tão jovem—veio te acompanhar?"
Então, quase casualmente, acrescentou: "Seu marido não veio com você?"
Yunice respondeu apenas com um "uhum" e não entrou em detalhes.
Tommy apontou um caminho. "Não precisa ir até a administração. Tenho aqui as informações do seu dormitório e sua grade de aulas. Pode ir direto pro alojamento com sua irmã."
"Ela está de salto, vai cansar se tiver que andar demais."
Freya lançou um olhar divertido para Tommy.
Depois que Yunice agradeceu, Tommy ainda ajudou a carregar a bagagem até a entrada do dormitório feminino.
Assim que ele foi embora, Freya brincou: "Agora entendi por que o Wyatt é tão ciumento. Olha esse campus—todo tipo de cara, todos jovens e cheios de energia. Te jogar nesse ninho de lobos? Não é à toa que ele fica nervoso."
"Eu gosto de homens mais velhos," respondeu Yunice. "Eles sabem cuidar da gente."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha Invisível