Timothy não sabia ler e tampouco entendia de bebidas. Abriu uma garrafa atrás da outra, jogando-as de lado, até finalmente escolher um uísque que agradou seu paladar.
Serviu-se de um prato e voltou com ar de dono do lugar, sentando-se de frente para Owen.
Mas assim que se sentou, pulou de volta num sobressalto.
Os olhos de Timothy se arregalaram de dor, o rosto se contorcendo de raiva. Com hesitação, levou a mão até as próprias costas.
Um chiado agudo escapou de seus lábios quando puxou a mão de volta e viu uma agulha ensanguentada presa entre os dedos.
Com a agulha cravada na palma, encarou Owen com os dentes cerrados. — Foi você que fez isso?
Owen nem levantou o olhar. — Eu? Por quê? É só uma agulha. O que isso poderia te fazer? Você acha que eu tenho tempo pra isso?
Ele largou o garfo, pegou um guardanapo para limpar a boca e então se levantou, colocando uma porção da comida numa caixa para viagem. — O resto é seu. Só não venha incomodar a mim e à minha esposa.
Dito isso, subiu as escadas.
O rosto de Timothy ficou sombrio, o olhar fixo em Owen como se quisesse matá-lo. Mas no fim, não fez nada.
Afinal... se Owen morresse, quem lhe daria dinheiro?
Agora que Elsie estava morta, sua mesada tinha sido cortada. Já fazia mais de duas semanas desde a última vez que ele foi a um clube se divertir com mulheres.
Reclamando sozinho, Timothy se jogou de volta na cadeira, arrancou um pedaço de carne do osso com os dentes podres e virou um gole direto da garrafa.
Se Owen não pagasse, ele simplesmente ficaria por ali. Tinha bebida e comida — ele se viraria.
Seus olhos vagaram para o segundo andar, para o quarto onde Owen acabara de entrar. Ainda havia uma mulher lá dentro.
Aquele lugar... era praticamente um paraíso.
Antes de fechar a porta, Owen olhou para trás e viu Timothy engolindo uísque como se fosse água. Só então fechou a porta atrás de si.
Lá dentro, as algemas de Peggy tilintaram quando ela se sentou, tentando se aproximar dele.
Owen, impassível, colocou a comida numa mesinha ao lado e disse: — Precisamos trabalhar juntos. Se continuar assim, não vai acabar bem pra nenhum de nós.
Peggy retrucou: — Você nem chama a polícia! Como diabos vamos resolver isso? Vai matar ele?
Peggy retrucou, irritada: — A culpa é toda sua. Se não tivesse trazido Elsie de volta pra família Saunders, nada disso teria acontecido!
Ela sacudiu as algemas. — Ei, se vamos trabalhar juntos, que tal me soltar?
Owen respondeu friamente: — Pode ficar assim. Desde que não fique perambulando por aí, é o melhor jeito de colaborarmos.
Ele levou a comida até a cabeceira dela e, sem dizer nada, cuidadosamente colocou um pequeno dispositivo no abajur ao lado.
No andar de baixo, Timothy devorava uma coxa de frango com um brilho maligno nos olhos. Assim que viu Owen sair do quarto de Peggy, cuspiu um pedaço de carne no chão e virou mais um gole de bebida antes de se levantar.
Owen foi até o escritório e conferiu a mensagem do cartório.
Ele havia solicitado um novo documento de identidade depois de voltar do aeroporto. Entre isso e um novo passaporte, o prazo mais rápido ainda levaria mais de um mês.
Ele estava preso no país por pelo menos mais um mês.
Até lá, Oscar já estaria quase saindo também.
Owen passou a mão pelos cabelos. Cercado de inimigos por todos os lados, começava a ficar insensível a tudo.

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