Yunice percebeu a mudança sutil no humor de Wyatt e desviou o olhar de Tommy e das duas garotas.
Não foi difícil para ela adivinhar o que Wyatt estava pensando — provavelmente caindo naquele velho ciclo de autocrítica.
A garota continuava tentando fazer Wyatt participar e resolver um problema que claramente tocava em um dos seus pontos fracos.
Ninguém gosta de comparações — e Wyatt sempre viu Tommy como um rival. Perder para ele na frente dos outros? É claro que se sentiria humilhado.
Yunice se inclinou levemente em sua direção e disse em voz baixa: “Estou com fome.”
A voz dela não foi exatamente discreta — Tommy também ouviu.
Percebendo o desinteresse evidente de Yunice pelas duas garotas, ele logo entendeu que tinha passado dos limites.
Aquilo não era uma sessão de estudos — Yunice e Wyatt tinham ido ali para comer, não para assistir ao teatrinho dele.
“Temos outros planos. Se quiser continuar com o problema, faz isso na escola,” Tommy disse antes que as garotas pudessem protestar. Depois, voltando-se para Wyatt, acrescentou: “Vou ver como está a comida.”
Assim que Tommy saiu, as duas garotas perceberam que já não eram bem-vindas. A que estava com o livro o fechou com um estalo dramático e lançou um olhar atravessado para Yunice ao sair. Nos vemos na escola, parecia dizer aquele olhar.
Quando finalmente o ambiente ficou silencioso de novo, Yunice resmungou: “Três pestinhas mal-educadas. Que saco.”
Wyatt arqueou a sobrancelha. “Três?”
Yunice suspirou. “Meu veterano — brilhante nos estudos, zero inteligência emocional. Ficar perto dele é exaustivo.”
A sobrancelha de Wyatt subiu ainda mais. “Mas ele é ótimo em provas — um verdadeiro deus dos testes.”
Yunice deu de ombros. “Só porque nunca competiu comigo. Se competisse, não sei quem ganharia.”
Wyatt piscou, depois virou o rosto, não conseguindo segurar um sorriso.
Acho que ele estava exagerando nas preocupações. Claro, Tommy era impressionante — mas não o suficiente para fazer Yunice idolatrá-lo.
Porque a própria Yunice era impressionante.
Tommy logo voltou, pedindo desculpas sinceramente. “Desculpa por aquilo — não vai acontecer de novo.”
Wyatt respondeu: “Tranquilo. Da próxima vez, só não comemos juntos.”
Tommy olhou para ele, esperando ver alguma raiva — mas Wyatt só parecia divertido, como se nada tivesse abalado seu humor.
Logo depois, a comida chegou.
Enquanto isso, do lado de fora, as duas garotas reclamavam enquanto desciam a rua pisando forte.
Uma voz hesitante interrompeu. “Com licença… vocês estavam falando da Yunice?”
Wendy se virou e viu uma mulher alta e magra, usando um chapéu de lã cinza suave, cabelos longos caindo pelos ombros — alguém que lembrava muito a Yunice.
“E você é quem?” Wendy retrucou no reflexo.
Com as mãos nos bolsos do casaco, a mulher se aproximou. “Acho que sou… uma parente da Yunice de quem vocês estão falando.”
Wendy a analisou. Não dava para negar a semelhança.
A mulher sorriu educadamente. “A Yunice fez algo para ofender vocês?”
A amiga de Wendy ficou nervosa, mas Wendy ergueu o queixo. “Então você é parente dela? Então me diz — vocês não ensinam suas filhas a terem respeito próprio? Aquela garota está aí comendo com dois caras. Ela não sabe o que é autocontrole?”
A mulher inclinou a cabeça, pensativa, e olhou para o restaurante. “Ela está comendo aqui? Com dois homens?”
“Sim,” Wendy zombou. “Um é nosso veterano, o outro é o namorado dela.”
“E como você sabe que um deles é namorado dela?”
Wendy bufou. “Por favor. Do jeito que estavam sentados — tão próximos, cochichando e flertando — está na cara que eles são—espera…”

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