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A Filha Invisível romance Capítulo 630

Yunice sentiu o calor da mão de Wyatt entrelaçada à sua enquanto observava seu perfil sob a luz tênue.

— Wyatt — disse ela em voz baixa. — Você sabe que fui eu, não sabe?

— Você sabia de tudo o que eu fiz, não sabia?

— Por que você assumiu a culpa por algo que não fez? Você sabe que eles acreditariam.

Wyatt não negou. — Qual a diferença entre o que você fez e o que eu teria feito?

Ele se virou para ela, a voz firme. — Você realmente acha que inocência protege alguém deles?

Yunice entendeu o que ele queria dizer. Mas isso não tornava certo. Só porque Wyatt já tinha feito suas próprias escolhas sombrias, não significava que todo crime pudesse ser jogado sobre ele.

Ela franziu a testa. Sem dizer nada, deslizou o bracelete de contas de agarwood do próprio pulso para o dele.

Wyatt piscou, surpreso, e então olhou para baixo.

Como suas mãos ainda estavam entrelaçadas, Yunice simplesmente colocou o bracelete nele.

— O que é isso? — ele perguntou, encarando-a. Seus olhos escuros ondulavam de emoção.

Ele sabia exatamente o que era.

O bracelete tinha pertencido ao pai de Yunice — uma lembrança preciosa. Ela tinha passado por um verdadeiro inferno para recuperá-lo de Wyatt, na época em que ele o usou para atraí-la para seus esquemas.

Era o que ela mais valorizava.

— Agora é seu — disse ela suavemente. — Dá sorte. Vai te proteger.

O coração de Wyatt batia forte no peito. Por um momento, ele ficou sem palavras.

Ela deu isso... para ele?

Yunice nunca tinha lhe dado nada assim antes — algo tão importante.

Demorou vários segundos para ele se recompor. Então começou a tirar o bracelete. — Fique com ele. Estar comigo só vai te trazer mais problemas.

Mas Yunice balançou a cabeça. — O vento continua soprando, mesmo que a árvore queira ficar parada. Ser pega pela tempestade não foi culpa sua. Eu escolhi isso.

Mesmo quando a família Powell a encarou mais cedo, ela não o culpou.

Sempre há riscos — e recompensas. Ela escolheu Wyatt como escudo, o que significava que precisava aceitar as consequências também.

Qualquer um próximo de Wyatt enfrentava o mesmo perigo. Ela não era especial.

Quando estava com Paul, também foi arrastada para baixo, alvo sem motivo.

Onde há lucro, há conflito. Yunice escolheu mergulhar. Não havia como sair ilesa.

Ela tinha sobrevivido até ali sob a proteção de Wyatt. Não tinha do que reclamar.

No hospital, Jackson havia sido transferido para a UTI. Já tinha recebido vários alertas críticos.

A expressão do médico era sombria. — Ele foi envenenado.

— O velho toma remédios há anos, mas o nível no sangue quando chegou era dez vezes o limite seguro. Isso desencadeou uma acidose aguda. Estamos fazendo diálise agora, mas... nem um jovem saudável teria grandes chances.

Ninguém se importava muito. Jackson passou a vida tramando, frio e impiedoso. Ninguém derramaria uma lágrima se ele morresse.

Wyatt ficou ali, de braços cruzados, totalmente impassível. Sua única reação foi uma carranca gelada.

— Não deixe ele morrer — ordenou. — Adrenalina, desfibrilador, o que for preciso. Mantenham-no vivo.

Yunice entendeu perfeitamente. Se Jackson morresse em coma, seria misericórdia demais.

Ele precisava viver o suficiente para ver tudo — para assistir o menino de ouro que criou destruir a família Powell com as próprias mãos.

Wyatt entrou no quarto.

Jackson estava inconsciente, ligado a um respirador, sem vida.

Wyatt ficou ao lado da cama e soltou uma risada baixa e sarcástica. — Aposto que seu maior arrependimento não é ter preparado Paul... é não ter me matado quando nasci.

— Mas veja — continuou, a voz suave e cheia de veneno — às vezes, eu sou generoso. Você me jogou fora como lixo... mas ainda sou o único que quer você vivo.

Ele riu de novo — baixo, complicado, cheio de emoções sobrepostas.

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