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A garota errada e a garota injustiçada romance Capítulo 247

Lá fora, o frio era de congelar os ossos. A estrada que saía de Seaflats Cove corria por um trecho à beira-mar, e caminhar por ali não era nada fácil.

“Pelo menos a Stella...” Eddie começou a dizer...

TUM. Outra dor aguda na perna.

Eddie realmente não aguentava mais.

Como alguém tão violento conseguia ter paciência pra criar uma garota com tanto cuidado?

Se alguém dissesse agora que a Stella tinha sido criada pelo Abraham, ele não acreditaria nem por um segundo.

Seus olhos se encontraram. O olhar de Abraham era cortante, fazendo Eddie se encolher. “Está bem. Eu vou comer na cozinha. Feliz agora?”

Ele sentia o quanto o corpo da Stella estava tenso ao lado dele.

Sério mesmo, Abraham... Qual é o problema? Ela tem que se esconder pra sempre de vergonha?

Ele nunca tinha visto ninguém ser tratado com tanto zelo quanto Abraham tratava Stella.

Ao ouvir que Eddie iria pra cozinha, ela afundou ainda mais a cabeça.

Dessa vez, antes que Abraham pudesse dar outro chute, Eddie se apressou e saiu por conta própria.

Restaram apenas Stella e Abraham.

Ele lançou um olhar preguiçoso na direção dela. “Se você abaixar mais, seu rosto vai grudar no prato.”

Stella não respondeu.

Levantou a cabeça e lançou um olhar ressentido para Abraham.

O canto da boca dele se curvou num leve sorriso, sem nenhum vestígio da ferocidade que tinha mostrado pra Eddie.

“Vem aqui”, disse Abraham.

Stella, obediente, se aproximou e sentou ao lado dele. Abraham estendeu a mão e começou a desfazer o cachecol que ela usava no pescoço.

Ela cobriu imediatamente com as mãos. “O que você está fazendo?”

Ela não podia deixar que ele tirasse. Se tirasse e todo mundo visse, e começassem a perguntar, como o Eddie tinha feito, o que ela diria?

“Você acha mesmo que esconder quer dizer que ninguém sabe?” Abraham falou com naturalidade.

Stella não respondeu.

Então... todo mundo já sabe?

Ela olhou pra Abraham com olhos aflitos.

Se todos sabiam, não ia demorar muito pra notícia chegar até Fleule.

Quando a mãe dela e a Marie descobrissem... só de pensar, seu coração começou a acelerar em pânico.

Ela puxou a manga do casaco de Abraham. Naquele momento, ele estava colocando um pãozinho frito na tigela dela.

Sentindo o puxão, ele riu. “O que foi?”

“Tô com medo”, murmurou Stella.

E não era mentira. Ela estava mesmo com medo.

Não tanto dos outros, mas de como explicaria pra mãe.

Abraham beijou de leve suas pálpebras. “Stella, você realmente não confia em mim?”

“Confio... Não é isso...”, respondeu em voz baixa.

“Ninguém em Fleule tem direito de se meter nos assuntos da família Luke”, disse Abraham.

O coração de Stella disparou de novo.

Era verdade. Ninguém em Fleule tinha autoridade nenhuma sobre a família Luke.

E se Abraham tinha coragem de fazer aquilo com ela, era porque ninguém ousaria criticá-lo também.

Stella fungou e olhou nos olhos dele.

“Se a Marie perguntar... eu conto, está bem?”

Abraham beliscou de leve o lóbulo da orelha dela e riu. “Boa garota.”

Stella hesitou, então perguntou: “Quando começou?”

“Hum?”

“Quando você começou a ter esse tipo de sentimento por mim?”

Ao lembrar de quando ele fingiu estar bêbado, Stella não conseguiu evitar a mágoa.

Naquela época, ele a deixou apavorada. Cada vez que fazia aquilo, o coração dela ficava num turbilhão.

Já era difícil o suficiente esconder os próprios sentimentos todos esses anos.

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