Tessa ficou em silêncio diante daquele tom, casual e indiferente.
Tão calma, tão imperturbável—como se tudo que tinha acontecido entre eles fosse absolutamente normal para Victor.
Tessa se recusava terminantemente a aceitar isso.
No fim, Victor perdeu a paciência e simplesmente puxou a calça dela para baixo.
No instante em que ele se moveu, Tessa nem teve tempo de reagir.
Naquele momento, ela se sentiu completamente entorpecida.
Enterrou o rosto nos lençóis, resignada. "Nosso acordo, não era pra ser só uma vez?"
A voz dela tremia, cheia de arrependimento.
Victor respondeu: "Não lembro direito."
Tessa ficou atônita.
Ele com certeza lembra, não é? O combinado era que ele ajudaria ela a ver a mãe, mas no fim das contas, a mãe dela nem apareceu.
Só de pensar nisso, sentia que tinha ficado com a pior parte do trato.
Depois de descobrir a verdade sobre sua identidade, Tessa finalmente se ergueu sozinha.
Quando Stella soube, ficou genuinamente feliz por ela.
Naquela noite, Abraham contou para Stella que Tessa tinha passado a tarde inteira praticando tiro.
Stella ficou surpresa. "Ela está treinando tiro? Ela tem coragem?"
"Foi o Victor que disse," respondeu Abraham.
Stella ficou em silêncio.
Ela já tinha ficado chocada mais cedo, naquela manhã, quando Tessa tinha falado ao telefone com tanta intensidade sobre aqueles gêmeos.
Agora, ao saber que ela estava até treinando com armas de fogo...
O tom de Stella suavizou, com orgulho. "Ela é muito mais forte do que eu imaginava."
Abraham assentiu. "Uhum."
Stella perguntou: "E o Victor está de boa com ela treinando assim?"
Victor podia parecer frio na maior parte do tempo, mas quando se tratava de mulheres, surpreendia pela delicadeza.
Quando Stella foi sequestrada, Marie queria que Victor ficasse responsável pelo treinamento dela.
Mas não demorou muito e ela já estava reclamando que as mãos doíam, então Victor encerrou tudo; disse que Abraham protegeria ela de qualquer jeito.
"Talvez seja melhor deixar o pessoal da minha irmã treinar ela," sugeriu Stella, depois de pensar um pouco. Sim, o pessoal da Marie seria melhor.
Eles não pegavam leve. Stella se lembrava de alguns dias em que Marie não estava por perto—eram as sessões mais brutais que já tinha enfrentado.
Ela até tentou usar Abraham como desculpa para parar, mas não adiantou nada.
Foi esse treinamento pesado que preparou Stella para aguentar qualquer coisa nos últimos três anos.
Abraham disse simplesmente: "Você que sabe."
Aquele nome mudou o clima na hora. Dan, aquele desgraçado. Depois de tudo que fez com minha irmã, agora isso?
Ao ouvir o nome de Dan nesse contexto, Stella não conseguiu evitar murmurar para si mesma, Que maldição dos infernos.
E se Dan realmente fosse o líder do Pacto Cinzento... toda essa confusão podia muito bem estar ligada à Marie também. Isso é um pesadelo...
Quando Stella ligou, a voz de Tessa saiu rouca. "Stella."
"O que aconteceu com sua voz?" perguntou Stella, confusa.
Parecia que ela tinha acabado de... bem, fazer alguma coisa.
Tessa gemeu: "Nem pergunta."
Ela nem sabia por onde começar.
Quando fizeram o acordo, era pra ser uma coisa única—mas agora, o que era aquilo entre ela e Victor?
Stella insistiu: "Hm?"
Tessa desviou: "Por que você tá me ligando tão tarde?"
Precisava mudar de assunto. Rápido.
Ainda mais porque era tão tarde—normalmente, se Abraham estivesse por perto, Stella não ligaria pra ela a essa hora.
"Ah, é, você passou a tarde toda treinando tiro?" perguntou Stella.
"Você já sabe?"
"Star... Eu não posso ser inútil. Minha situação não permite," disse Tessa, com a voz carregada de tristeza. A vida, o destino. Ninguém nunca sabe o que pode acontecer depois.
Aqueles dias tranquilos em Rivermount, ela só ouvia falar de organizações assim, de fora, pelos noticiários na TV.
Jamais imaginou que um dia estaria envolvida nisso tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A garota errada e a garota injustiçada
Que pena um dos site que ainda a poderia nos fornecer leituras sem pagamento e complicação infelizmente não é mais...