Os aliados de Marie vieram buscá-la.
...
Dentro da cabana de madeira na ilha, Marie estava relaxando em um robe de seda preto enquanto Tessa—imunda e completamente exausta—entrou cambaleando e desabou direto no chão.
Ela estava tão cansada que seu cérebro mal funcionava.
“Se eu sair lá fora e ainda não conseguir derrotar o Dan, juro que vou atrás de você,” resmungou Tessa.
Marie arqueou uma sobrancelha. “O que isso quer dizer?”
Derrotar o Dan?
Quanta ingenuidade tem essa garota?
Aquele homem cresceu dentro do Pacto Cinzento, um lugar onde nem o próprio sangue era digno de confiança. A vida dele sempre foi um fio de navalha.
E ela achava que conseguiria vencê-lo—depois de quanto tempo? Algumas semanas?
Tessa disse, “Estou acabada, igual a um cachorro. Depois de tudo isso, é bom que eu saia daqui com habilidades pra derrotar o Dan.”
Marie soltou uma risada baixa, mas não respondeu.
E foi aí que Tessa percebeu. Ela ainda não estava pronta.
Claro que não. Ela mal tinha começado essa vida. Como poderia sonhar em vencer alguém como Dan?
Mas, caramba, tinha sido difícil.
Se pelo menos houvesse alguma recompensa por toda essa dor...
Marie disse, “Vai tomar um banho.”
“Não tenho forças.”
“Quer que eu te dê banho então?”
Tessa ficou em silêncio.
Sinceramente? Não era má ideia.
Ela estava tão esgotada que mal conseguia mexer um dedo. O corpo inteiro implorava por descanso. Podia simplesmente desmaiar ali mesmo no chão.
E no fim...
Marie realmente deu banho nela—de forma meio bruta, mas suficiente para tirar a sujeira.
Que tipo de treinamento é esse? pensou Marie. Acabei adotando outra princesa, tão mimada quanto a Star.
No segundo em que Tessa desabou no sofá, já estava meio adormecida.
Então veio uma ardência aguda na perna.
Ela acordou gritando. “Aaaaai! Tá doendo, tá doendo, tá doendo!”
Marie estava desinfetando seus ferimentos.
Com álcool, claro.
Será que não podiam usar iodo ou algo assim?
A ardência do álcool na pele machucada... era um tipo especial de tortura.
Lágrimas brotaram nos olhos de Tessa. “Dói de verdade.”
Marie disse, “Se você não cuidar desses ferimentos, uma infecção vai ser bem pior.”
“Por que não podemos usar iodo?”
“Acabou.”
Tessa ficou quieta.
Como assim tinha acabado? Não é algo que sempre se tem por perto?
Mas... tanto faz. Ela ia aguentar.
Se ao menos ela mostrasse um pouquinho dessa gentileza durante o treinamento.
Marie disse, “Se matarem você, Victor e sua mãe não podem se unir. E sua mãe? Vai atrás dos Dawsons. Isso faz deles novos inimigos.”
“Agora, só um entre sua mãe e Dale pode sobreviver. Se sua mãe vencer, Dan é o próximo.”
Ou seja, Dan já estava planejando tudo.
Ele queria Diana cercada de inimigos—tantos que ela nem saberia por onde começar.
Tessa perguntou, “Então Victor e os Dawsons...?”
“Por isso você não pode morrer. Não só não pode morrer, como tem que matar ele antes.”
Sem dúvida—os esquemas de Dan eram profundos.
Tessa ficou em silêncio.
Malvado. Ele era realmente malvado.
Ela já tinha ouvido falar de famílias brigando por dinheiro, mas nunca de uma onde tentavam se matar de verdade.
Agora tinha visto com os próprios olhos.
...
Na manhã seguinte, Sophia a arrancou da cama para correr voltas. Diferente de antes, dessa vez ela carregava pesos nas duas pernas.
“Essa ilha é quase o dobro do tamanho da última. Cinco voltas.”
“Cinco? Em volta dessa ilha?”
Era maior que a anterior. Suas pernas iam virar mingau depois disso.
Sophia assentiu, seríssima.
Tessa gemeu, “Quero treinar com arma. Não quero mais correr em círculos.”
Ela já era rápida o suficiente. Chega de voltas. Estava na hora de um treinamento de verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A garota errada e a garota injustiçada
Que pena um dos site que ainda a poderia nos fornecer leituras sem pagamento e complicação infelizmente não é mais...