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A garota errada e a garota injustiçada romance Capítulo 710

— O Dale está guardando tudo para o Manny. Você, Dan... você não é nada aos olhos dele.

A palavra “nada” escorreu afiada da língua de Derrick.

O riso de Dan veio amargo.

— Ótimo. Eu não sou nada. E você é tudo, é isso?

— Mm. Eu ainda sou o marido da Marie.

Marie não conseguiu dizer uma palavra.

Marie quase se engasgou. Que infantil.

A fúria de Dan ferveu do outro lado da ligação.

— Então pega ela e dá o fora de Noctarth. Some daqui e nunca mais volte!

— Você dopou ela e agora manda eu ir embora? O que isso faz de mim... menos que um homem? — a voz de Derrick era aço.

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que, se a Tessa não for entregue, a nossa pendência com o Pacto de Ashen não terminou. Dan, se você não quer ver este lugar sendo despedaçado, então faça ela aparecer.

Marie culpá-lo era uma coisa — a mente dela já tinha sido envenenada contra ele fazia tempo. Aos olhos dela, todo crime levava o nome dele.

Mas Derrick também? Ele realmente não tinha mais um pingo de juízo?

O peito de Dan queimava; o ar que ele soltava vinha quente de raiva.

— Chega! Eu não peguei ela. Derrick, você é homem mesmo? Na última confusão, eu assumi a culpa por você. E agora, com a Tessa, você e a Marie jogam em cima de mim de novo?

Quanto mais falava, mais o sangue dele fervia.

Ele se lembrou daquela humilhação — Marie liderando o próprio pessoal para espancar ele e os irmãos até sangrarem.

Por causa disso.

E mesmo assim, ele tinha apanhado por conta do Derrick.

Agora Derrick ainda tinha a audácia de dizer que era ele quem não engolia rancor?

A respiração de Dan saiu aos arrancos, dura, cortante.

— Eu não tenho tempo para as suas besteiras. Vai embora!

Por mais duro que tivesse sido com Dale, o Pacto de Ashen ainda era o último pedido da mãe, no leito de morte. Ele não podia destruí-lo. Não podia simplesmente virar as costas.

— Entregue a Tessa — disse Derrick, gelado — e nós saímos imediatamente.

Estava claro que ele também estava convencido de que alguém da família Morris tinha levado ela — se não Dan, então Dale ou Manny.

Victor não era o tipo de homem que se provoca.

— Se vocês roubaram ela, devolvam. Aí ainda dá para conversar — Derrick zombou.

— Eu já disse... eu não peguei! — Dan rugiu.

Onde estava a justiça? Era o bastante para enlouquecê-lo.

— Então vá perguntar ao seu pai e ao seu irmão — Derrick retrucou, ríspido.

Dan arqueou a sobrancelha, fria.

— Se quer falar de atitude...

— Chega. Não brigue com o rapaz — Artemis interrompeu com suavidade.

Ela já tinha passado dos cinquenta, e ainda assim a beleza dela brilhava como se mal tivesse trinta.

Não era de espantar que Dale tivesse ficado enfeitiçado todos esses anos.

— Deixa. Vocês dois têm que conversar, não brigar — ela apaziguou, puxando de leve a manga de Dale.

A voz dela era macia, o rosto delicado — mas Dan se lembrava bem demais.

Ele a tinha visto com os próprios olhos, rasgando a sepultura da mãe dele, cercando-a com cal branca num ritual nojento, o rosto retorcido de rancor.

Ela vestia a beleza como máscara; por baixo havia veneno e superstição.

A mãe dele tinha sofrido em vida — e, mesmo na morte, Artemis a tinha profanado.

Dan puxou o ar em um fôlego profundo, mas o perigo no olhar dele só se tornou mais agudo. A voz saiu como lâmina.

— Não precisa sair. Eu tenho perguntas para você.

O desprezo no tom dele era inconfundível.

Dale se inflamou de raiva, pronto para explodir, mas Artemis o conteve com um único olhar.

E, assim, o leão enfurecido engoliu a própria fúria.

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