— Lorena, pegue este cheque. É uma forma de o papai parabenizá-la por poder se reunir com seus pais biológicos.
Lorena Estrela desceu as escadas carregando uma bagagem leve. Ela olhou rapidamente para o cheque de cem mil reais que Ulisses Alves lhe oferecia, e um sorriso de deboche apareceu em seus olhos.
Parabenizar? Mais parecia um suborno para mantê-la calada.
Adotada pela Família Alves aos seis anos de idade, ela foi obrigada a doar sangue para Mariana Alvez gratuitamente durante treze anos.
Agora que Mariana finalmente havia se recuperado, Lorena não tinha mais utilidade. Sendo assim, não seria natural que a expulsassem de casa?
— Muito obrigada, Ulisses, mas não preciso.
Lorena recusou o cheque e caminhou em direção à saída com sua bagagem, sem a menor hesitação ou saudade.
Aquela atitude fria e distante deixou Ulisses com um gosto amargo na boca.
— A Família Alves a sustentou por mais de dez anos. Já é muito não cobrarmos pensão alimentícia, e você ainda quer dar dinheiro a ela? — Yana, sentada no sofá, bateu a xícara de chá com força na mesa e lançou um olhar de descontentamento para Ulisses Alves.
— Até um animal sabe retribuir o carinho. Mas ela? Vai embora sem sequer dizer adeus! É uma ingrata, isso sim!
— Pare com isso — Ulisses a repreendeu asperamente.
— Mamãe, a minha irmã viveu aqui por tantos anos, sempre rodeada de conforto. Ouvi dizer que as condições da Família Estrela não são muito boas. Ela deve estar preocupada com a adaptação lá e, por isso, está de mau humor... — Mariana tentou acalmá-la com uma voz suave, sentada ao lado de Yana.
Para evitar fofocas e não dar motivos para falarem mal, a Família Alves fez um grande esforço para encontrar os pais biológicos de Lorena antes de expulsá-la.
Pelo que ela sabia, a Cidade S, onde a Família Estrela vivia, era famosa por ser um município extremamente pobre.
A Família Estrela também era conhecida na região por sua miséria. Diziam que o casal Estrela sobrevivia da coleta de recicláveis e ainda tinha que sustentar três filhos que não estudavam nem trabalhavam, dependendo totalmente deles.


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