O sarcasmo em suas palavras era evidente, enfurecendo Ezequiel a ponto de ele querer partir para a agressão.
Mas, por causa da presença de sua deusa, ele engoliu a fúria e rosnou asperamente:
— Lorena, pare de se fazer de desentendida. Você acha que rebaixar o meu trabalho vai te livrar da culpa? Se a minha partitura não fosse excelente, você nem se daria ao trabalho de roubá-la!
Lorena deu de ombros.
— Seu padrão de excelência é muito baixo. Se é só nesse nível, eu consigo compor umas cem assim em um dia só.
As palavras dela provocaram uma gargalhada geral e imediata no ambiente.
O único que não riu foi Xavier; seu rosto estampava pura incredulidade.
Em meio ao riso estrondoso, Lorena manteve seu semblante sereno e imperturbável.
— Tem alguma coisa engraçada?
Zuleica parou de rir a ponto de recuperar o fôlego e falou com um tom exagerado:
— Lorena, eu achava que você só gostava de pegar atalhos, mas pelo visto você também gosta de viver em um mundo de fantasias. Cem composições por dia? Acho que você está viajando na maionese. É melhor você sair correndo da Universidade N e ir procurar um médico!
Tânia conteve o riso e fingiu tentar aconselhar Lorena, com falsa preocupação:
— Lorena, eu sei que você é talentosa e que quer provar sua inocência, mas falando essas coisas, ninguém vai acreditar em você. Deixe isso para lá. O máximo que posso fazer é ir com você até a sala do reitor e pedir para ele pegar leve nessa punição.
Percebendo a descrença de todos, Lorena não perdeu tempo com discursos vazios. Virou o rosto na direção de Rafael, que estava mais perto, e exigiu com um aceno de queixo:
— Caneta.
Rafael, indignado com a petulância dela, resmungou:
— Você acha que é a dona do mundo, é?
Zuleica, convicta de que Lorena estava apenas encenando, lançou-lhe um olhar de absoluto desdém.

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