Ao escutar a palavra "polícia" vinda da boca de Gildo, Ezequiel sentiu as pernas bambear instantaneamente.
Não era como se a escola nunca tivesse lidado com episódios de plágio, mas tudo sempre fora contornado internamente. Como o diretor poderia exigir o envolvimento das autoridades assim, de repente?
Se a polícia entrasse na história, como a farsa dele sobreviveria?
Ao lado, Tânia estava apreensiva, receando que o nervosismo de Ezequiel desmoronasse o teatro e acabasse respingando nela.
Os demais ao redor ostentavam expressões carregadas de nervosismo e confusão. Somente Lorena permanecia em absoluta calmaria, tranquila como a superfície intocada de um lago.
— Diretor, não podemos envolver a polícia!
— Diretor, será que é mesmo necessário chamar a polícia por causa disso?
O coordenador e Cecília falaram ao mesmo tempo em objeção. Enquanto o apelo dele transbordava pânico, a pergunta dela carregava um tom cauteloso.
Gildo, notando a resistência de ambos, deslizou o olhar pela silenciosa Lorena, e a sua expressão foi se tornando gelada. — E qual seria o motivo para não acionar a polícia? Por acaso uma ocorrência tão deplorável quanto essa não merece ser esclarecida?
O coordenador sentiu uma onda de formigamento dos pés à cabeça sob aquele olhar assustadoramente penetrante.
— Diretor Gildo, se levarmos em consideração a imagem e o prestígio da Universidade N, eu receio que um escândalo desse porte cause repercussões bastante negativas... Portanto, o meu conselho é tratarmos o assunto de maneira interna, sem alertar a mídia lá fora.
Percebendo a carranca insatisfeita que se formou no rosto de Gildo, ele correu para adicionar:
— Mas o senhor pode ficar tranquilo. As câmeras de segurança ficam ligadas vinte e quatro horas por dia, então, a menos que alguém tenha tido a coragem de desligá-las ou destruí-las propositalmente, nós com certeza acharemos alguma evidência!
Quando ouviu aquela dedução do coordenador, a cor fugiu do rosto de Ezequiel.
A sua grande confiança inicial baseava-se exatamente no fato de que naquela semana era a sua vez de cuidar da supervisão das câmeras.
Ele tinha mexido nas gravações e apagado os vestígios sem que uma única viva alma desconfiasse de nada.
Entretanto, jamais lhe passara pela cabeça que a situação transbordaria a ponto de envolver o diretor, muito menos que ele ordenaria uma investigação implacável.

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