— Somos todos adultos. Se está de mau humor, fique com o seu problema sozinho, não venha estragar o nosso dia!
Marcel, pego de surpresa por aquela enxurrada de críticas, ficou confuso e irritado.
— Professora Cecília, será que dá para parar de ser irracional? Quando foi que eu drenei a sua energia?
— Irracional? Eu? — Cecília bateu com força suas coisas na mesa, rebatendo com prepotência. — Marcel, ponha a mão na consciência. Desde que chegou à Academia de Elite, que contribuição importante você deu à escola? Que prêmios você ajudou os seus alunos a ganhar?
Sem esperar resposta, ela mesma respondeu com arrogância:
— Nenhuma! Você não contribuiu com absolutamente nada!
Se quer ser um professor incompetente, o problema é seu, mas como ousa passar isso para os alunos?
Olhe para o Xavier da sua turma. Ele deveria estar lutando para subir na vida, ir para uma turma melhor, mas foi contaminado pelas suas ideias e se recusa a progredir! Você é uma péssima influência!
O tom dela era tão agressivo que nem mesmo o temperamento pacífico de Marcel conseguiu suportar.
— Professora Cecília, meça suas palavras. A escolha da turma é uma decisão exclusiva do Xavier. Se nem o diretor se opôs, com que direito você interfere na liberdade dele?
E eu discordo totalmente que ele não queira progredir. Se fosse o caso, não teria tirado uma nota tão boa nestes exames!
Vendo que ele ousava retrucar, Cecília marchou até ele, furiosa.
— Marcel, não use o diretor para me intimidar!
Se não fosse pela bondade dele, que teve pena dos seus pais e aceitou um zé-ninguém com um currículo medíocre na Universidade N, você estaria carregando tijolos em alguma obra! E o que você fez todos esses anos?

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