Tânia apertou os punhos ao ouvi-lo elogiar Lorena.
Percebendo que o clima já estava tenso o suficiente, Kellen interveio para apaziguar os ânimos.
— Está bem, está bem. As meninas devem ter refletido bastante no caminho de volta. Já que as ações delas não trouxeram consequências reais para a família Capelo nem para a família Estrela, vamos deixar isso para lá.
Cristiano, entretanto, recusou-se a aceitar.
— Pode não ter causado uma catástrofe, mas o comportamento delas viola as regras da família Estrela e, por isso, devem ser punidas. Tânia e Halina ficarão três dias confinadas no santuário da família para refletirem sobre o que fizeram. Sem a minha autorização, ninguém poderá visitá-las.
Pérola se mostrou extremamente contrariada de imediato.
— Cristiano, não é bem assim que a banda toca. Se vamos falar em responsabilidade, a verdadeira culpada por tudo é Lorena.
— Halina me contou que, se Lorena não tivesse se recusado a emprestar o dinheiro, a pílula não teria sido levada por outra pessoa e toda essa confusão nem existiria.
— Eu sempre avisei que ela era uma ingrata e interesseira, mas você e Kellen nunca quiseram acreditar. Se ela já nos trata assim hoje, sabe-se lá do que será capaz de fazer com vocês no futuro!
Kellen não hesitou em defender Lorena.
— Não acredito nisso. Minha filha de modo algum é uma ingrata. Ela certamente teve os seus motivos para agir como agiu.
Pérola apertou os dentes de raiva.
— Se ela não é, então por que está em silêncio até agora? Para mim, ela sabe que está errada e não consegue inventar uma desculpa para se safar!
Lorena ergueu seus olhos, frios e penetrantes como vidro, com uma expressão carregada de escárnio.
— Que absurdo. Já que vai puxar desculpas de tão longe, por que não volta ao começo dos tempos da criação do mundo? Me culpar por não emprestar dinheiro para a sua filha? Que piada. Por que você não culpa a si mesma? Se não tivesse dado a ela meros vinte milhões, será que ela não teria tido dinheiro suficiente para comprar a bendita Pílula de Regeneração Óssea?
Obviamente, Pérola jamais admitiria que a culpa era sua.
— O que você está dizendo, sua absurda? Vinte milhões não é o suficiente?!
— E era o suficiente? Então por que não conseguiu comprar a pílula? — retrucou Lorena.
— Quando não precisa de mim, a sua filha faz questão de dizer aos quatro ventos que sou apenas uma empregada. Mas, na hora em que o calo aperta, ela vem com esse papo furado de laços de sangue, exigindo que eu puxe o cartão e pague a conta sem pestanejar.
— E você é ainda mais ridícula. Se eu não tiro dinheiro do bolso para ajudá-la, viro uma ingrata?
— Por acaso você me criou? Se não, com que moral vem aqui falar essas barbaridades? Com toda essa cara de pau, vocês duas deveriam se oferecer a institutos de pesquisa; garanto que os coletes à prova de balas ficariam várias vezes mais resistentes usando o vocês não têm vergonha de nada.
— Você...
Pérola ficou lívida de fúria.
— Lorena! — Ao ouvir aquilo, Halina apontou o dedo para ela, tremendo de indignação. — Não passe dos limites!
Lorena lançou-lhe um olhar cortante.
— Passar dos limites? E não foi apenas a verdade que eu disse?

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