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A Herdeira Perdida: Nunca Perdoada romance Capítulo 104

Os chamados “valentões” daquele lugar não passavam de peões, apenas marionetes controladas por Shane.

Dentro do quarto do hospital, o silêncio era pesado. Dickson estava lá, a boca entreaberta, encarando Sierra. Ele não ousava perguntar o que a moça tinha passado naquela época, nem tinha coragem de perguntar se Daphne sofrera da mesma forma.

Do lado de fora do quarto, Jonathan ficou parado, a mão no trinco da porta, mas sem abri-la.

Ele tinha ouvido cada palavra.

Um brilho sombrio passou por seus olhos, algo que nem ele mesmo tinha notado antes, uma fúria fria e contida.

Depois de um tempo, a conversa dentro do quarto mudou de rumo. Só então Jonathan bateu na porta e entrou.

“Dickson acordou? Que timing perfeito, trouxe comida”, se aproximou e colocou as embalagens de comida para viagem uma por uma. “O médico disse que as feridas dele estão inflamadas, então deve comer coisas leves”, entregou um conjunto de talheres a Sierra. “Você também deveria comer algo.”

“Obrigada, Sr. Jonathan”, disse a moça educadamente, pegando os talheres sozinha.

Jonathan lançou um breve olhar, os lábios formando uma linha sutil.

Depois que comeram, o homem tinha outros assuntos para resolver, então saiu primeiro.

Assim que se foi, Dickson hesitou antes de perguntar: “Sierra... você e o Sr. Jonathan brigaram?”

Algo neles parecia diferente. O jeito como falavam um com o outro soava distante, nada como antes.

“Claro que não”, disse com um sorriso forçado. “Ele é uma pessoa tão gentil. Por que brigaríamos?”

Mesmo enquanto dizia isso, sua mente voltou às palavras de Jonathan mais cedo.

Ela o pegou desprevenido com aquela pergunta, logo o homem pausou por um momento antes de ajustar os óculos e dizer: “Obviamente, como seu professor. Esqueceu? Você é minha aluna.”

Naquele momento, Sierra não sabia se sentia alívio ou decepção.

Jonathan tinha feito tanto pela moça, muito mais do que um professor normalmente faria. Era claro que a tratava de forma diferente, e por mais que ela dissesse a si mesma para não pensar demais, não conseguia evitar.

Mas a partir de agora, ela não pensaria mais nisso.

Para Jonathan, a moça era apenas uma aluna. Nada além disso.

Talvez só tivesse mais paciência com ela porque era talentosa nos estudos.

Tudo o que ela precisava fazer era garantir que não o desapontasse, retribuir a bondade que o homem mostrou como mentor.

Dickson não queria ficar no hospital. No momento em que acordou, insistiu em ir para casa.

Mas o médico se recusou a liberá-lo. Quanto mais tentavam impedi-lo, mais agitado ficava, ficando inquieto e ansioso.

Depois de conversar com o médico, Sierra finalmente o convenceu a liberar Dickson. Ele receitou uma longa lista de remédios orais e tópicos para sua recuperação.

Antes de irem embora, o médico chamou a moça de lado.

“Seria bom se você o levasse para ver um terapeuta”, aconselhou. “Ele está mostrando sinais claros de trauma psicológico.”

Sierra levou as palavras do médico a sério.

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