Os chamados “valentões” daquele lugar não passavam de peões, apenas marionetes controladas por Shane.
Dentro do quarto do hospital, o silêncio era pesado. Dickson estava lá, a boca entreaberta, encarando Sierra. Ele não ousava perguntar o que a moça tinha passado naquela época, nem tinha coragem de perguntar se Daphne sofrera da mesma forma.
Do lado de fora do quarto, Jonathan ficou parado, a mão no trinco da porta, mas sem abri-la.
Ele tinha ouvido cada palavra.
Um brilho sombrio passou por seus olhos, algo que nem ele mesmo tinha notado antes, uma fúria fria e contida.
Depois de um tempo, a conversa dentro do quarto mudou de rumo. Só então Jonathan bateu na porta e entrou.
“Dickson acordou? Que timing perfeito, trouxe comida”, se aproximou e colocou as embalagens de comida para viagem uma por uma. “O médico disse que as feridas dele estão inflamadas, então deve comer coisas leves”, entregou um conjunto de talheres a Sierra. “Você também deveria comer algo.”
“Obrigada, Sr. Jonathan”, disse a moça educadamente, pegando os talheres sozinha.
Jonathan lançou um breve olhar, os lábios formando uma linha sutil.
Depois que comeram, o homem tinha outros assuntos para resolver, então saiu primeiro.
Assim que se foi, Dickson hesitou antes de perguntar: “Sierra... você e o Sr. Jonathan brigaram?”
Algo neles parecia diferente. O jeito como falavam um com o outro soava distante, nada como antes.
“Claro que não”, disse com um sorriso forçado. “Ele é uma pessoa tão gentil. Por que brigaríamos?”
Mesmo enquanto dizia isso, sua mente voltou às palavras de Jonathan mais cedo.
Ela o pegou desprevenido com aquela pergunta, logo o homem pausou por um momento antes de ajustar os óculos e dizer: “Obviamente, como seu professor. Esqueceu? Você é minha aluna.”
Naquele momento, Sierra não sabia se sentia alívio ou decepção.
Jonathan tinha feito tanto pela moça, muito mais do que um professor normalmente faria. Era claro que a tratava de forma diferente, e por mais que ela dissesse a si mesma para não pensar demais, não conseguia evitar.
Mas a partir de agora, ela não pensaria mais nisso.
Para Jonathan, a moça era apenas uma aluna. Nada além disso.
Talvez só tivesse mais paciência com ela porque era talentosa nos estudos.
Tudo o que ela precisava fazer era garantir que não o desapontasse, retribuir a bondade que o homem mostrou como mentor.
Dickson não queria ficar no hospital. No momento em que acordou, insistiu em ir para casa.
Mas o médico se recusou a liberá-lo. Quanto mais tentavam impedi-lo, mais agitado ficava, ficando inquieto e ansioso.
Depois de conversar com o médico, Sierra finalmente o convenceu a liberar Dickson. Ele receitou uma longa lista de remédios orais e tópicos para sua recuperação.
Antes de irem embora, o médico chamou a moça de lado.
“Seria bom se você o levasse para ver um terapeuta”, aconselhou. “Ele está mostrando sinais claros de trauma psicológico.”
Sierra levou as palavras do médico a sério.

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Vai ter mas atualização...