Graças à família Xander e Shane, Sierra mal dormiu naquela noite. Seus sonhos estavam cheios de imagens do passado.
Quando ela acordou, seu corpo inteiro estava frio.
Mesmo assim, ela se levantou na hora e desceu.
Sierra preferia o calor forte lá fora à escuridão sufocante de um quarto.
Todos estavam lá, exceto Denise. Mas, pela primeira vez, nenhuma pessoa da família Xander ousou encará-la.
Sierra não se importava com as reações deles. Contanto que não a incomodassem, ela estava bem com qualquer coisa.
Sua mente já estava ocupada com pensamentos sobre quais ingredientes ela precisava para a sua pesquisa.
O café da manhã foi a refeição mais tranquila que a família Xander já teve.
Eleanor e os três irmãos continuaram lançando olhares furtivos para Sierra, mas a mesma permaneceu completamente indiferente.
Quando ela terminou de comer, Evan se levantou primeiro. “Estou indo para o campus. Posso te dar uma carona.”
Sierra nem olhou para cima. “Não precisa, Sr. Evan. Não tenho aula esta manhã.”
Ela iria ao hospital para ver a sua avó. Mas não havia necessidade de dizer isso a ele.
Após limpar a boca, ela saiu sem dizer mais nada, deixando a família Xander em um silêncio pesado.
“Bradley, estou cancelando o trabalho de hoje. Vou com você até a cadeia”, Sean murmurou, cutucando seu sanduíche. “Não acredito no que Sierra disse.”
Evan acrescentou: “Eu também vou.”
Bradley assentiu.
Então, os três irmãos saíram juntos.
Sierra chegou ao hospital com um saco do macarrão favorito de sua avó. Só de pensar no sorriso da velha, o canto de seus lábios se levantou ligeiramente.
Mas seu bom humor desapareceu instantaneamente quando ela entrou no quarto.
James estava de pé ao lado da cama, com um tom cheio de frustração.
“O que você quer dizer com não há dinheiro? Aquela maldita garota te ama tanto. Se você pedir, ela definitivamente te dará mais. Eu chequei. Este hospital é caro. Ela já pagou uma boa quantia adiantada.”
Se o dinheiro pudesse ser devolvido, o homem já o teria pegado para si.
A avó manteve os olhos fechados, ignorando-o.
James estava ficando impaciente. Sua expressão se contorceu quando ele levantou a mão para batê-la.
“Você acha que, por aquela maldita garota voltar, significa que alguém vai te salvar? Continue sonhando!”
Seu punho estava prestes a acertá-la…
Mas isso nunca aconteceu.
Uma mão fria o agarrou, parando-o no lugar.
James se virou, atordoado, e avistou Sierra encarando-o friamente.
Por um momento, o homem foi pego de surpresa.
Quando essa maldita garota ficou tão forte?
Mas James se recuperou rapidamente. Ele tinha vindo aqui com um propósito.
“Há! Momento perfeito!”, ele zombou. “Me dê dinheiro agora. Senão, a sua avó e a sua mãe vão sofrer.”
Sierra olhou para Yulia, que estava parada no canto, de cabeça baixa, em silêncio.
Como sempre, ela está nessa posição patética.
Mesmo quando James estava prestes a bater na avó, a mulher não ousava levantar a cabeça.
“Saia.” Sierra o empurrou para longe. “Se você tocar na minha avó novamente, eu te mato.”
Sua voz estava assustadoramente calma.
Mas ninguém duvidou que ela quis dizer cada palavra.
Até James, um jogador e vigarista de longa data, sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir aquilo.
Mas ele não era de recuar tão facilmente.
“Vá em frente!”, ele gritou, estufando o peito. “Vamos, me mate! Você vai voltar para a prisão e de forma perpétua! Sua avó vai morrer sozinha!”
O olhar de Sierra se tornou ainda mais frio.
Pela primeira vez, ela realmente sentiu vontade de matá-lo.
A comoção no quarto já havia chamado a atenção da enfermaria.
No corredor, Jonathan estava passando casualmente. Ele parou, observando as costas retas, mas frágeis, de Sierra.
Então, ele se virou para a pessoa ao seu lado e disse algo baixinho.
Dentro do quarto, James ainda acreditava que tinha a vantagem.
“Contanto que você me dê dinheiro, juro que não vou incomodá-la novamente. É um acordo justo, não é?”, ele zombou.

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Vai ter mas atualização...