Kason deu um sorriso irônico, como se achasse tudo aquilo divertido.
Sem hesitar, ele assentiu.
Aquele cachorro pertencia à Shane. Mas o que Shane ia fazer? Era só um cachorro.
O cãozinho da raça samoieda mal reagiu quando foi trazido para fora. Se era por acreditar que seu dono estava morto ou por causa do tormento sem fim que havia sofrido, Sierra não tinha certeza.
De qualquer forma, o mesmo não demonstrou emoção alguma.
Se cachorros podiam perder a alma, este parecia ter perdido a sua.
Enquanto Kason a acompanhava até o carro, ele disse casualmente: “Se o cachorro começar a agir diferente, me avise.”
Sierra inclinou a cabeça. “E se ele morrer?”
O homem riu baixinho. “Então me conte mesmo assim. Não é meu, esse cachorro. Vou ter que passar a notícia para o verdadeiro dono.”
Assim que o carro de Kason partiu, Sierra entrou no elevador.
As portas se abriram e Jonathan a estava esperando.
No momento em que o viu, tudo dentro dela desmoronou.
Sierra não disse uma palavra. Ela apenas se jogou em seus braços.
Jonathan a abraçou com força, sem dizer nada.
Mateo e Dickson estavam parados no corredor, mas entenderam imediatamente. Sem dizer uma palavra, viraram-se e foram embora.
Jonathan não perguntou nada e nem lhe disse para parar. Ele já sabia: a mera existência de Kason já era suficiente para deixar Sierra enjoada.
E quanto mais nojento ele fosse, menos Sierra recuaria.
Ela não se permitiria fazer isso.
Demorou muito para que a mulher finalmente se recompusesse.
Seu rosto estava indecifrável novamente.
“Vamos”, Sierra disse com a voz firme.
Com isso, ela levou o cachorro para seu apartamento.
Mateo juntou-se a eles um momento depois, encostando-se no batente da porta, observando Sierra limpar delicadamente os ferimentos do Samoieda.
Ele olhou para Jonathan.
Ela parecia… calma demais, controlada demais.
Até Mateo mal conseguira digerir o que ouvira hoje. E Sierra vira tudo em primeira mão.
Jonathan não o reconheceu. Seu foco estava apenas na mulher de que tanto gostava.
Ela sempre foi assim. Mesmo cercada pela escuridão, carregava uma luz dentro de si. Mesmo que o mundo fosse cruel, Sierra nunca deixou que roubasse o calor do seu coração.
O cachorro ficou completamente imóvel.
Mesmo enquanto ela o tratava, o bichinho não reagiu.
Ele havia perdido a vontade de viver.
Sierra acariciou sua cabeça gentilmente. “Você merecia mais.”
Um cachorro desses, que fora descartado tão facilmente, não merecia um dono como aquele, para começo de conversa.
O bichinho nem sequer mexeu a orelha em resposta.
Após lavar as mãos, Sierra finalmente se virou para Jonathan. “Você gravou tudo?”
“Sim. Será que serve como prova?”, Jonathan suspirou.

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Vai ter mas atualização...